26 jun 2017

Brasil: Venda de ativos da JBS pelo escândalo “Operação Carne Fraca”

JBS vende activos para saldar deudas en Brasil


AUTOR(ES)

María de los Angeles Gutiérrez

Diamond V

Conteúdo disponível em: Español (Espanhol)

O novo plano anunciado pela JBS é se alienar da participação na empresa irlandesa Moy Park, a segunda maior produtora de carne de frango no Reino Unido, seu principal ativo. De acordo com a JBS, o objetivo é arrecadar um total de US$1,8 bilhões, mais da metade poderia proceder da subsidiária europeia. O pacote inclui também outra parcela de participação, de 19,2% na empresa de lácteos Vigor -controlada pela J&F Investimentos, holding da família Batista -, assim como de instalações pertencentes à Five Rivers Cattle Feeding, maior empresa de alimentação de gado do mundo.

A JBS pretende arrecadar um total de US$1,8 bilhões através da venda de ativos, com as alienações de um produtor de frangos do Reino Unido e um fornecedor de laticínios brasileiro.

Em 2015, quando comprou a Moy Park, unidade britânica da Marfrig Global Foods SA, a JBS pagou US$1,5 bilhões, incluindo uma dívida assumida de US$293 milhões. Devido à situação atual da JBS, a expectativa é que os interessados negociem, porém a companhia irlandesa deve confirmar uma boa fonte de recursos. A Moy Park já desperta o interesse dos concorrentes e tem até um candidato natural: o grupo chinês WH, que controla a norte-americana Smithfield Foods, maior empresa produtora de carne suína do mundo.

Em uma rara entrevista, o diretor de Relações com Investidores do grupo chinês, Luis Chein, disse recentemente à agência Reuters que os objetivos da expansão do grupo são Europa e EUA, com a intenção de avançar nos mercados de carne de frango e bovina. A JBS não informou se já há negociações em curso que envolvam os ativos que formam parte do plano de desinvestimentos. Porém, observadores recordaram que o empresário Joesley Batista, que saiu do país e foi expulso da presidência do conselho de administração da JBS após a delação premiada (em que apresentou graves acusações contra o presidente Michel Temer e outros tantos políticos), estava na China antes de voltar ao Brasil, em 11 de junho de 2017.

 

Os objetivos da expansão do grupo chinês WH são Europa e EUA, com intenção de avançar nos mercados de carne de frango e bovina

Fontes da área dizem que outros grupos estrangeiros, como a norte-americana Tyson Foods, têm interesse na Moy Park, que também seria estratégica para a brasileira BRF, se esta estiver disposta a alavancar mesmo em meio a seu processo de reestruturação de gestão. A empresa irlandesa se considera uma base importante para uma plataforma de produção na União Europeia. Tanto é que sua venda não fazia parte dos planos da JBS antes da delação. Pelo contrário: a JBS pretendia crescer na Europa, com carnes de frango e suína, a partir da Moy Park. Em uma entrevista ao Valor em 2015, Wesley Batista, CEO da JBS, disse que via oportunidades de aquisições na França, Espanha e Itália.

A JBS já havia anunciado a venda, por 300 milhões de dólares, de nove frigoríficos na Argentina, Paraguai e Uruguai à brasileira Minerva, aparentemente, o ativo que tem maior liquidez é a Five Rivers.

No mercado, de acordo com o Valor, a avaliação é que o negócio pode atrair fundos estrangeiros que desejam investir em uma operação de renda fixa. Com capacidade estática para abrigar mais de um milhão de cabeças de gado – informação disponível no site da subsidiária da JBS -, a empresa controlada pela JBS USA é vista como um negócio de pouco risco para os compradores: o boi criado na Five Rivers tem como destino natural os próprios frigoríficos da JBS nos EUA.

A participação de 19,2% da JBS na Vigor pode ser um negócio mais difícil, porque a porção restante pertence à J&F. A holding intenciona vender a empresa de lácteos desde o ano passado – portanto, muito antes da delação. A informação aponta que na fase inicial de prospecção, a Vigor foi oferecida à Cutrale, que preferiu seguir focada no suco de laranja, banana e soja, seus principais negócios. Posteriormente, a norte-americana PepsiCo chegou a oferecer US$ 1,8 bilhões.

Se a J&F conseguir hoje obter pela Vigor o mesmo valor oferecido no início do ano pela PepsiCo – o que muitos no mercado duvidam devido à exposição negativa da empresa e o maior poder de negociação que os interessados passaram a ter -, a JBS conseguiria aproximadamente US$359.820.096. Alem da PepsiCo, a J&F tem conversado sobre uma eventual venda da Vigor com as francesas Lactalis e Danone, com a mexicana Lala e também com a Coca-Cola, segundo fontes do mercado. A PepsiCo e a Danone não responderam a solicitações de entrevista. A Coca-Cola informou que não há negociação em curso e a Lactalis afirmou que são “especulações de mercado e não poderia comentar”.

Em nota a JBS informou que a venda dos ativos está sujeita à aprovação prévia do conselho de administração e à prévia anuência do BNDESPar.

A JBS, uma das principais exportadoras de carne mundiais, requer liquidez para saldar dívidas e permanecer no mercado. O mercado fechou o acesso a créditos para a JBS devido à complexa situação provocada pelos escândalos da denominada “Operação Carne Fraca” e e delações premiadas à Lava Jato.




MERCADO +

DataProdutoValor
05/08/2020 Congelado +
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R$ 4,94
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