08 jan 2021

São Salvador Alimentos cresce e se prepara para vender ações na Bolsa

São Salvador Alimentos


AUTOR(ES)

Priscila Beck

A São Salvador Alimentos, com unidades localizadas em Nova Veneza e Itaberaí (GO), está se preparando para registrar pedido de oferta pública de ações na Bolsa de Valores ainda no primeiro trimestre de 2021. A notícia foi divulgada pelo jornal Valor Econômico desta sexta-feira (8/1).

Segundo o jornal, este seria o primeiro IPO (Initial Public Offering) da área de frigoríficos desde 2007. A operação será coordenada pelos bancos Itaú BBA, XP Investimentos, BTG Pactual e Bradesco BBI, segundo fontes do VE.

São Salvador Alimentos

São Salvador Alimentos Unidade Itaberaí (GO)

Atualmente a São Salvador Alimentos possui um faturamento próximo a R$ 2 bilhões e nos últimos cinco anos apresentou uma média Ebitda de 23%. Segundo o VE, BRF e Seara comemoram quando suas margens Ebitda ficam acima de 15%.

O Ebitda representa a geração operacional de caixa de uma empresa, ou seja, o quanto ela gera de recursos apenas em suas atividades operacionais, sem levar em consideração os efeitos financeiros e de impostos. Para tentar levantar cerca de R$ 1,5 bilhão e chegar à bolsa valendo mais de R$ 4 bilhões, segundo o VE, a São Salvador quer se apoiar no comparativo de rentabilidades para buscar um prêmio sobre as concorrentes.

Devido ao seu valuation, que é um julgamento da posição que uma empresa ocupa no mercado e a previsão do retorno de investimento, as ações da BRF são negociadas a 6,3 vezes o Ebitda, segundo o VE. Com um valuation semelhante, as expectativas são de que a São Salvador poderia alcançar um múltiplo de 10 vezes.

Rentabilidade Elevada

Segundo o VE, uma das explicações para a rentabilidade elevada da São Salvador Alimentos é a proximidade da empresa com os grãos, insumo cada vez mais caro. A estratégia comercial e regional da empresa, concentrada no pequeno varejo do Centro-Oeste – o market share é da ordem de 30% em Goiás e no Distrito Federal -, também ajuda na conta, segundo o VE, que aponta ainda que as grandes redes varejistas representam menos de 10% das vendas totais da São Salvador.

No fim do ano passado, a São Salvador emitiu R$ 200 milhões em CRAs (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), resultante de um trabalho iniciado em 2007, quando a empresa contratou a BDO, uma das cinco maiores redes de contabilidade no mundo, para auditar seu balanço.

“Só abatia 40 mil frangos por dia”, declarou ao VE, Zé Garrote, um dos fundadores da São Salvador Alimentos. “Não tinha musculatura para entrar na bolsa, mas entendi que precisava organizar a governança”, completou.

Ainda segundo o VE, o escritório Pinheiro Neto Advogados assessorou a constituição de uma holding e a preparação do negócio familiar para a realidade de uma companhia com ações listadas na Bolsa. Aos 63 anos, Zé Garrote passou o bastão ao filho Hugo, de 36, que assumiu o posto de CEO em meados de 2020, evitando acumular a gestão executiva e a presidência do conselho de administração.

A gestão, segundo o VE, foi reforçada com nomes como Leopoldo Saboya, que fez carreira na Perdigão e foi CFO da BRF entre 2008 e 2013. Desde agosto Saboya comanda a diretoria financeira da São Salvador, acompanhado na equipe por Guto de Toni, na diretoria de exportações.

O DNA da Perdigão também está presente no conselho de administração da São Salvador: José Antônio Fay, CEO da Perdigão e depois da BRF, até 2013, é um dos membros independentes, assim como Nelson Vas Hacklauer, outro ex-Perdigão. Completam o board Carlos Watanabe, CFO da Minerva de 2006 a 2009, e Rimarck Vieira de Carvalho, próximo da família fundadora.

Oportunidades de Crescimento

No discurso aos investidores, a São Salvador também pretende apontar suas oportunidades de crescimento. Depois de investir R$ 200 milhões, o grupo colocou em operação seu segundo abatedouro de aves, em Nova Veneza (GO).

Com capacidade para abater 160 mil aves por dia, a unidade vai levar três anos para atingir a plena capacidade – é também o prazo para que os granjeiros integrados se estruturem. O frigorífico de Itaberaí, que já opera a plena capacidade, pode abater 360 mil frangos diariamente.

O negócio de alimentos processados – linguiça, salsicha e empanados, entre outros – também pode acelerar a expansão da empresa, que criou a marca Boua na década passada para complementar um portfólio ainda um tanto restrito tendo a SuperFrango como principal marca.

No mercado brasileiro, que responde por 70% da receita da São Salvador, os alimentos processados representam 25% das vendas. A companhia pretende investir R$ 100 milhões na unidade de Itaberaí para expandir o negócio.

Como é pouco endividada, a companhia ficaria com o caixa da oferta inicial de ações para executar seu plano de crescimento. A relação entre dívida líquida e Ebitda é de 0,8 vez, ante 2 vezes ou mais dos concorrentes. Na política da empresa, o limite interno da São Salvador para alavancagem é de 2,5 vezes, bem abaixo dos covenants de 3,5 vezes previstos no CRA recém-emitido.

O empresário e os executivos da empresa evitam cravar que o IPO será mesmo em 2021. “A gente quer estar pronto, mas abertura de capital depende de momento e valor”, resume Saboya.

Fonte: Valor Econômico



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