22 fev 2021

Indústria avícola: Rabobank aponta 6 fatores que devem orientar as estratégias de crescimento pós Covid-19

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AUTOR(ES)

Priscila Beck

Diamond V

Em relatório divulgado na manhã desta segunda-feira (22/2), o Rabobank aponta os seis principais fatores que poderão determinar o sucesso, ou o fracasso das estratégias globais de investimento da indústria avícola no período pós Covid-19. Segundo o documento, a pandemia teve um grande impacto na indústria avícola global e deve-se esperar mais mudanças nos mercados e nas condições de fornecimento, que deverão exigir um ajuste fino constante por parte dos investidores.

Os analistas do Rabobank dividiram os impactos da pandemia sobre a indústria e o foco de investimentos em três estágios, com cada um exigindo uma abordagem diferente por parte dos investidores. Segundo o relatório, os estágios 1 e 2 são altamente impactados por regulações governamentais para reduzir as taxas de infecção de Covid-19, havendo também algum impacto indireto pela Peste Suína Africana.

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Segundo o relatório, o lockdown na China por conta da Covid-19 resultou em uma queda de 45% nas vendas de foodservice no primeiro trimestre de 2020. Na União Europeia e Estados Unidos, a maior queda nas vendas do setor aconteceu no segundo trimestre, com reduções respectivas de 50% e 42% nas vendas.

Segundo o Rabobank, em 2020, a indústria de carne de frango foi mais afetada durante a pandemia do que outras indústrias de proteínas, incluindo carne suína, bovina e ovos. “A principal razão para isso é a alta dependência da indústria em relação aos canais externos e, em particular, das vendas para o foodservice e mercados úmidos em todo o mundo”, aponta o relatório.

Com a expectativa de que os programas de vacinação iniciados em dezembro de 2020 levem a alguma recuperação gradual do mercado no segundo semestre de 2021, o relatório aponta como 3º estágio, o período de “rescaldo pós-2021”. Nessa fase, segundo o relatório, deve acontecer o retorno otimista de oportunidades de investimento para a indústria global de aves, em que os principais temas de investimento serão diferentes dos anteriores à Covid-19.

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O desenho feito pelo Rabobank aponta para uma demanda forte e contínua pela proteína avícola, apesar da recuperação da carne suína, após a problemática da Peste Suína Africana, e do crescimento de proteínas alternativas. A previsão do banco é de crescimento médio de 2% ao ano da produção de carne de aves em todo o mundo, com mais de 85% do crescimento concentrado em mercados emergentes, especialmente no Sudeste Asiático, América Latina e África.

Segundo o relatório, os produtos avícolas com valor agregado terão oportunidades adicionais com o crescimento econômico e recuperação da renda. O Rabobank destaca que esses produtos têm crescido a taxas de 5% a 10 % por ano em muitas economias emergentes, mais rápido que os produtos tradicionais.

Ainda segundo o relatório, os canais de distribuição também irão mudar, com vendas contínuas e robustas on-line e entregas em domicílio, devido ao aumento do consumo doméstico. Uma das principais razões para essa mudança no perfil de consumo foi o aumento significativo no número de pessoas trabalhando remotamente.

O Rabobank aponta que, embora se espere um retorno aos escritórios, a parcela de trabalho remoto pode ter mudado permanentemente, especialmente em países de alta renda. Pesquisa realizada pelo Banco Mundial mostra que, em países de alta renda, 23% dos empregos são potencialmente adequados para trabalho remoto, enquanto em países de renda média esse número passa para 17% e, em países de baixa renda, para 13%.

O aumento da distribuição online, segundo o Rabobank, também deverá refletir no maior impacto na cadeia de valor da indústria avícola, já que se conecta muito bem com novos desenvolvimentos tecnológicos, como ioT, tecnologia de sensores, ferramentas de big data e inteligência artificial.

“Este é um gatilho perfeito para desenvolver cadeias de valor digital em um futuro próximo, criando oportunidades para investidores em termos de conexão dos agricultores com os consumidores, com marketing feito sob medida e conselhos de saúde de precisão para os consumidores”, destaca o relatório.

A segurança dos alimentos e insumos impulsionará, segundo o Rabobank, o abastecimento e o comércio locais. Os governos tendem a reduzir a dependência das importações, especialmente de insumos essenciais como ingredientes para rações e genética, pressionando as indústrias a se tornarem o mais autossuficiente possível.

Em termos de comércio de aves a longo prazo, o banco prevê a continuidade da tendência de crescimento mais rápido da produção local, do que o comércio global. Segundo o relatório, o exemplo dado pelos governos da Ásia e do Oriente Médio para aumentar a autossuficiência será gradualmente seguido em outros lugares, por exemplo na África.

“Os líderes e investidores de empresas precisam revisar constantemente as condições de mercado e ajustar o posicionamento da empresa para otimizar o crescimento e os retornos”, destaca o documento. Ainda segundo o Rabobank, haverá diferenças maiores entre vencedores e perdedores, o que levará a um processo de aceleração dos investimentos de capital, consolidação e internacionalização nos próximos anos.

Diamond V


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