26 jun 2017

Pulorose e Tifo Aviário: os desafios da indústria avícola brasileira



AUTOR(ES)

Priscila Beck

Diamond V

Para o professor titular do Departamento de Patologia Veterinária da Unesp, Ângelo Berchieri Júnior, o principal desafio para um controle mais efetivo dessas duas doenças nas granjas brasileiras está no diagnóstico correto e na capacitação e incentivo dos trabalhadores que lidam diretamente com as aves no dia a dia da produção.

O Tifo Aviário e a Pulorose são enfermidades de aves que provocam prejuízos decorrentes de alta mortalidade e da obrigatoriedade da eliminação de planteis reprodutores acometidos. Nas duas últimas décadas, principalmente, o Tifo Aviário foi observado em praticamente todas as regiões produtoras de aves do País.

Diante do impacto econômico causado por essas duas enfermidades, o setor avícola nacional tem reforçado suas medidas de prevenção e controle. Valendo-se da máxima de que prevenir é sempre melhor do que remediar, os avicultores têm intensificado seus procedimentos sanitários – como limpeza e desinfecção de suas instalações, o controle de insetos, pássaros e roedores nas imediações da granja, a remoção de dejetos dos galpões etc.-, e fortalecido seus protocolos de biossegurança.

De acordo com o professor titular do Departamento de Patologia Veterinária Faculdades de Ciências Agrárias e Veterinárias da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” (FCAV- Unesp), Ângelo Berchieri Júnior, embora ambas as enfermidades estejam sob controle, a Pulorose e o Tifo Aviário ainda desafiam a avicultura brasileira.

Segundo ele, o principal obstáculo para uma maior contenção das doenças nas propriedades brasileiras está na capacitação daqueles que lidam diretamente com as aves no dia a dia da produção. “Temos técnicas de diagnóstico e métodos de prevenção muito bem estabelecidos e eficazes para o Tifo Aviário e a Pulorose. Sabemos como controlar essas enfermidades, mas a grande dificuldade é o trabalho de biossegurança nas granjas, desde o reconhecimento da doença”,  avalia Berchieri.

“A Pulorose tem na via transovariana excelente meio de disseminação e o controle deve ser direcionado para a área de reprodução. Quanto ao Tifo Aviário, a disseminação está muito relacionada com a presença de animais indo a óbito. Para minimizar seu impacto é necessário que as aves doentes sejam retiradas dos galpões antes que morram. Para isso, é necessário contar com pessoal bem treinado e capacitado para identificar essas aves e realizar essa tarefa”, completa.

Segundo Berchieri, as empresas avícolas brasileiras têm fortalecido seus investimentos no treinamento de suas equipes de colaboradores com o objetivo de minimizar a incidência e estancar o avanço dessas doenças nas granjas do País. Ainda assim, explica o especialista, o resultado desse esforço muitas vezes demora a aparecer, dada a complexidade das ações de prevenção que precisam ser tomadas.

“Trata-se de um trabalho minucioso, que requer capacitação e engajamento dos funcionários da granja. São galpões com 100 mil, 50 mil, 40 mil aves cada e é preciso que os colaboradores estejam atentos todos os dias. É uma tarefa ininterrupta e, por isso, nada fácil”, afirma Berchieri.

Em que pese toda a complexidade desse trabalho, o especialista acredita serem esses os caminhos mais eficientes para controlar ambas as enfermidades. no País. “Tenho convicção de que se avançarmos nesse sentido, ou seja, seguir o PNSA, identificar corretamente o agente etiológico e estabelecer um trabalho de biossegurança com equipes bem treinadas, aptas a identificar e retirar as aves infectadas e dar destino correto para elas, controlaríamos de forma efetiva a incidência da Pulorose e do Tifo Aviário, melhorando, inclusive, o manejo sanitário  das propriedades avícolas e a eficácia das medidas adotadas contra essas dessas doenças”, conclui.



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