jan 2020 / Outros / Artículos

Prevenção & controle do vírus da bronquite infecciosa aviária

Bronquite Infecciosa

Mark W. Jackwood

Diamond V

O vírus da Bronquite Infecciosa Aviária (do inglês, IBV) é um coronavírus altamente contagioso, que afeta o trato respiratório superior das aves.

Bronquite InfecciosaTrata-se de um vírus RNA que, por natureza, pode mudar rapidamente quando se replica dentro do hospedeiro.

Existem múltiplos tipos de IBV (e variantes desses tipos) com pouca, ou nenhuma capacidade de reação cruzada. Por isso, o desenvolvimento de uma vacina contra, unicamente um tipo do vírus, provavelmente não proporcione proteção adequada contra outro tipo.

Inicialmente, para a tipificação do IBV são usados testes a base de anticorpos neutralizantes. Porém, atualmente, o tipo de IBV é identificado geneticamente a partir da sequência da glicoproteína da “espícula” vírica (do inglês, spike).

O tipo genético do vírus circulante no campo pode fornecer informação para selecionar uma, ou mais vacinas comerciais disponíveis para sua prevenção e controle.

Isso implica que, usar uma vacina homóloga ao vírus circulante é a melhor estratégia para garantir o sucesso.

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Se não existe uma vacina homóloga, a combinação de vários tipos vacinais de IBV, às vezes, pode proporcionar uma proteção aceitável e cumprir o objetivo de reduzir a replicação do vírus de campo para prevenir, ou minimizar sua transmissão.

Bronquite InfecciosaInúmeros estudos foram realizados para examinar as distintas combinações de tipos vacinais de IBV, frente à variante do vírus e esta informação pode ser extremamente valiosa para desenvolver uma estratégia vacinal. No entanto, atualmente é impossível predizer qual combinação de tipos vacinais proporcionará um nível aceitável de proteção contra novas variantes circulantes do vírus no campo.

A única forma de saber com segurança se uma combinação de vacinas proporcionará a proteção adequada é realizar estudos de desafio em frangos.

INTRODUÇÃO

A Bronquite Infecciosa Aviária é uma doença infecciosa do aparato respiratório superior de distribuição mundial, que afeta os frangos.

É uma doença muito importante do ponto de vista econômico, ao causar perdas de milhões de dólares anuais à indústria avícola, devido a reduções da produção, condenações no processamento e mortalidade.

Também provoca perdas em reprodutoras e poedeiras por infecções com cepas do vírus que provocam lesões renais, diarreia e desidratação.

O patógeno causador da doença é o vírus da Bronquite Infecciosa Aviária (IBV), um vírus RNA encapsulado. Atualmente, a melhor e única estratégia para controlar este vírus é o uso de vacinas vivas atenuadas e inativadas.

VACINAS VIVAS

Normalmente, as vacinas vivas são administradas aos pintinhos de um dia na planta de incubação e, às vezes, no campo aos 14-18 dias de vida.

VACINAS INATIVADAS

As vacinas inativadas, que devem ser injetadas, são utilizadas depois da primo-vacinação (com vírus vivo) em reprodutoras e poedeiras para prolongar a imunidade durante a vida dos lotes.

Independentemente do tipo de vacina empregada, é difícil alcançar uma proteção completa, dado que os diferentes tipos de IBV não geram proteção cruzada.

Além disso, é difícil aplicar as vacinas vivas e inativadas corretamente, uma vez que falhas dos equipamentos, manejo inadequado das vacinas, uma técnica de administração deficiente e a diminuição das doses fazem com que os lotes não estejam protegidos adequadamente.

Vacinamos contra o IBV para prevenir sinais clínicos da doença, porém as vacinas também podem reduzir a replicação e transmissão dos vírus patógenos de campo.

Da mesma forma que todos os vírus RNA de sentido positivo, o IBV pode mutar rapidamente quando se replica. Isso é importante, já que essas mutações são uma fonte de novas variantes do virus, que podem se replicar e ser transmitidos, inclusive, em aves vacinadas.
A vigilância (ou monitoramento) dos tipos de IBV circulantes no campo é crítica e componente imprescindível de uma estratégia de controle exitosa. O diagnóstico do IBV é realizado, quase exclusivamente, a partir de técnicas de biologia molecular. O RNA vírico pode ser detectado a partir de teste RT-PCR (Reação em Cadeia da Polimerasa a partir de Transcriptase Reversa) e por RT-PCR em tempo real. Os testes estão projetados para detectar todos os tipos de IBV e isso é acompanhado pela sequenciação do gen S1, que permite determinar o tipo genético, ou a partir de uma prova RT-PCR em tempo real de tipo específica.

Determinar o (os) tipo(s) de IBV circulante no campo é necessário para selecionar vacinas efetivas e projetar as estratégias vacinais apropriadas para o controle do vírus.

VARIANTES DO IBV

bronquite infecciosaA alta taxa de modificações genéticas experimentada por esse vírus contribui para a circulação de muitos tipos (variantes) diferentes no campo.

O tipo de vírus está determinado pela proteína da espícula localizada na superfície do vírus. Isso significa que diferentes tipos de vírus têm distintas proteínas nas espículas.

A diversidade antigénica (variantes do vírus) surge quando ocorrem mutações, inserções, deleções e recombinações no gen que codifica a proteína da espícula. Isso pode resultar na presença de uma proteína espicular significativamente diferente na superfície do vírus e, em consequência, um novo IBV genética e antigénicamente.

Quando o vírus tem liberdade para se replicar e transmitir-se a aves não expostas, ou parcialmente protegidas, as mutações se acumulam e as que se apresentarem enquanto uma vantagem adaptativa se manterão.

Se as mutações ocorrem no gen da espícula, o resultado pode ser a aparição de um novo tipo de IBV, contra o qual as vacinas talvez possam, ou não, ser efetivas.

Existem inúmeras variantes diferentes de IBV em todo o mundo. Nos EUA os vírus predominantes que circulam nas aves comerciais são:

GA08

GA13

DMV/1639.

Os tipos Arkansas e Mass também são isolados, porém, geralmente se associam a vírus vacinais.

IBV E SUA TRANSMISSÃO

Uma vacinação efetiva contra IBV reduz significativamente a replicação do vírus e evita sua transmissão. A média de novas infecções produzidas a partir de um só indivíduo infectado é conhecida como número RO e para IBV esse número é 19,95.

Isso significa que apenas uma ave infectada pode transmitir o vírus a quase 20 aves suscetíveis. No entanto, o número RO de uma ave completamente protegida é 0,69.

Quando o RO é maior que 1, o foco continuará se propagando, enquanto se apresentar-se inferior a 1 acabará desaparecendo.

Portanto, a vacinação tem dois objetivos:

Reduzir o RO a um número inferior a 1 para evitar a propagação do vírus.

Reduzir a replicação do vírus, limitando assim a possibilidade de aparecimento de novos vírus.

CONTROLE DO Vírus da Bronquite Infecciosa

Tratamos de controlar o IBV a partir da vacinação e, para poder desenvolver uma estratégia de vacinação efetiva, é necessário conhecer quais tipos de vírus circulam na região e que pretendemos controlar. Por isso, é importante contar com um programa de vigilância adequado para conhecer as variações dos vírus presentes e poder, consequentemente, atualizar as vacinas a serem utilizadas.

É frequente a falta de proteção, ou a proteção parcial contra o vírus de campo pelo fato de a(s) vacina(s) empregada(s) conferirem uma proteção cruzada pobre ou resultante de uma técnica de vacinação incorreta. De fato, a administração de vacinas é crucial e sua aplicação incorreta é uma causa comum de falhas vacinais contra IBV.

O equipamento de vacinação deve funcionar corretamente

Deve-se administrar as doses completas

A vacina deve ser preparada seguindo as instruções do fabricante

Deve-se manter a vacina refrigerada

A aplicação incorreta da vacina pode resultar em uma reação severa devido à transmissão do vírus de aves vacinadas a aves não vacinadas, o que, além de tudo, pode terminar na reversão do vírus vacinal a uma forma mais virulenta.

Estabeleceu-se que IBVs com proteínas totalmente diferentes em suas espículas não geram proteção cruzada e as vacinas vivas atenuadas homólogas proporcionam a melhor proteção. No entanto, não dispomos de vacinas vivas atenuadas e homólogas para todos os tipos distintos de vírus da Bronquite Infecciosa presentes nos frangos. Por isso, são administrados diferentes tipos de vacinas simultaneamente na mesma vacinação, ou de forma sequencial em duas, ou mais vacinações subsequentes, com o objetivo de estimular uma proteção cruzada.
Estudos realizados em nossos laboratórios, ainda não publicados, demonstram que se pode administrar simultaneamente 3, ou até 4 tipos vacinais diferentes, com bons resultados. Outros comprovam que o intervalo ideal entre a vacinação inicial e a seguinte é aproximadamente 2 semanas.

Além disso, nem todas as vacinas contra o vírus da Bronquite Infecciosa são iguais e alguns tipos vacinais demonstraram proporcionar uma melhor proteção cruzada que outros.

Adicionalmente, o nível da resposta imunitária e o número de vacinações recebidas pode maximizar o desenvolvimento de uma imunidade com proteção cruzada. Novamente é importante considerar que não se pode predizer, confiavelmente, a proteção cruzada em frangos, sendo necessário fazer testes de vacinação e desafio das aves.

Desenvolver uma estratégia de vacinação a partir de vacinas homólogas, ou uma combinação de vacinas heterólogas administradas várias vezes, é importante para o controle do IBV, já que reduz a replicação do vírus de campo para abaixo dos níveis de transmissão, previne, ou pelo menos retarda o aparecimento de novas variantes antigénicas capazes de provocar doença.

CONCLUSÕES

O IBV é um coronavírus aviário com distribuição global, que provoca perdas econômicas significativas.

O controle do IBV é realizado, principalmente, a partir da aplicação de vacinas vivas atenuadas e inativadas, porém, é difícil alcançar uma boa proteção devido à falta de proteção cruzada entre os diferentes tipos de vírus.
Os diferentes tipos de IBV surgem como consequência da replicação do vírus e, apesar de a recombinação poder cumprir um importante papel, historicamente foi a replicação, com a ocorrência de mutações, deleções e inserções no gen da glicoproteína da espícula e sua acumulação ao longo do tempo (deriva genética), a que resultou na aparição de novos tipos do mesmo.

Se a vacinação não é realizada corretamente, ou se não se aplica o tipo, ou combinação de tipos vacinais adequados, conseguir-se-á apenas uma proteção parcial, o que permite que os vírus de campo continuem se replicando e transmitindo entre os frangos, aumentando assim a possibilidade de produção de mutações.

Realizar uma vigilância adequada e periódica dos vírus presentes no campo é uma parte essencial de um programa de controle de IBV. É crítico conhecer os tipos de IBV que circulam atualmente em uma região concreta para garantir que as vacinas e o programa vacinal selecionados constituam a melhor estratégia para controlar esta doença de grande relevância econômica.

Para obter mais informações sobre o envio de amostras para a detecção e identificação do Vírus da Bronquite Infecciosa, acesse a página: https://vet.uga.edu/pdrc/diagnostic-lab.

bronquite infecciosa

Conteudo da aviNews Brasil
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