22 jun 2017

México: Caem importações de grãos e carne de frango dos EUA

México disminuye importación de granos y carne de pollo estadounidense


AUTOR(ES)

María de los Angeles Gutiérrez

Diamond V

Conteúdo disponível em: Español (Espanhol)

A tensão entre Estados Unidos e México sobre o comércio está começando a reduzir as vendas para os produtores e as empresas agropecuárias estadunidenses, acrescentando incerteza a uma indústria que luta com os baixos preços das commodities, a carne de frango e o excesso de oferta.

Durante os primeiros quatro meses de 2017, as importações mexicanas de farinha de soja estadunidense, utilizadas para alimentar aves e gado, cairam 15%, a primeira diminuição para o período em quatro anos, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Enquanto as exportações estadunidenses de carne de frango diminuíram 11%, a maior queda para o período desde 2003, as exportações de milho também caíram 6%. O México é o maior mercado de exportação dos EUA para essas commodities.

Os números mostram como as empresas mexicanas estão comprando cada vez mais grãos e carne de frango do Brasil, preocupando alguns servidores do setor agrícola e analistas dos EUA. Os dados comerciais mais recentes – segundo publicação do Wall Street Journal (WSJ) -, indicam que o México está começando a avançar em suas aspirações de comprar alimentos em uma gama mais ampla de países e reduzir a dependência dos EUA.

Os números mostram como as empresas mexicanas estão comprando cada vez mais grãos e frango do Brasil, preocupando alguns servidores do setor agrícola e analistas dos EUA.

O diretor de assuntos internacionais da Secretaria de Agricultura, Pecuária, Desenvolvimento Rural, Pesca e Alimentação (SAGARPA) do México, Raúl Urteaga Trani, fez um alerta. “Temos que enviar um sinal aos políticos em Washington, e enfatizar que não ficaremos tranquilos”. O WSJ recordou ainda que no mês passado Raúl Urteaga encabeçou uma delegação de representantes de 17 empresas mexicanas em uma missão comercial à América do Sul, focada em milho, soja e trigo.

O México é o terceiro maior comprador de produtos agrícolas produzidos nos EUA, representando US$18 bilhões em comércio no ano passado. Por sua vez, os Estados Unidos são o maior mercado de alimentos produzidos no México, ou seja, uma estreita relação comercial criada em torno do Tratado de Livre Comércio da América do Norte (TLCAN) firmado em 1994. Espera-se que o acordo seja renegociado em agosto, logo que Donald Trump manifeste que o México tem captado empregos, investimentos e riqueza dos EUA após o acordo comercial.

 

A diminuição das compras de algumas commodities estadunidenses no México, no entanto, vai contra a meta da Administração Trump, de impulsionar as exportações dos Estados Unidos em geral, conforme citado no WSJ.

O secretário de Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, tem trabalhado para construir pontes com o México. Em maio, conversou com por telefone com o representante da Pasta no México, José Calzada Rovirosa, quando trataram sobre o mútuo benefício comercial. Na ocasião, Perdue convidou Calzada para uma reunião nesta semana em Savannah, Georgia, quando se espera debater temas comerciais. Também é aguardada a presença do ministro canadense da Agricultura, Lawrence MacAulay, junto com os líderes empresariais estadunidenses.

Para debater temas comerciais, está programada uma reunião entre os secretários da Agricultura de ambos os países, esta semana, em Savannah, Georgia, EUA.

As condições econômicas e financeiras podem alterar rapidamente os padrões de comércio. O peso mexicano enfraqueceu frente ao dólar nos últimos meses, fazendo com que alguns produtos estadunidenses sejam mais caros e o frango brasileiro mais atrativo para alguns compradores mexicanos.

Embora as vendas dos estados unidos ao México tenham desacelerado, o país está comprando mais carne e ovos americanos, segundo dados do USDA sobre os primeiros quatro meses do ano. Ainda assim, segundo o WSJ, alguns servidores públicos da agricultura americana estão preocupados pela incerteza sobre o comércio, já que poderia por em risco um mercado que no ano passado comprou aproximadamente 13% das exportações agropecuárias totais dos EUA, em um momento em que os produtores dos Estados Unidos estão lutando com preços baixos. A semana passada, o U.S. Grains Council, organismo comercial dedicado ao desenvolvimento das exportações de grãos, enviou o seu conselho ao México para enfatizar o compromisso dos produtores americanos com o país.

O presidente e CEO do U.S. Grains Council, Tom Sleight, tem realizado diversas visitas ao México desde fevereiro. “Certamente, estamos preocupados”, afirmou. “Há um interesse palpável por parte do México – tenho ouvido pessoas mexicanas referirem-se a um ‘Plano B’ constantemente – para reduzir a dependência dos produtos agropecuários dos EUA, buscando abastecimento em outros países”.

As preocupações têm surgido no setor avícola dos Estados Unidos devido ao enfrentamento na política comercial entre Estados Unidos e México, o que poderia empurrar os compradores mexicanos para os produtores cárneos brasileiros. Desde 2013, o México tem autorizado importações de carne de frango livre de impostos do Brasil e de outros países. As vendas de frango brasileiro ao México subiram para 52.800 toneladas no ano passado, sendo que em 2013 foram de 387 toneladas, segundo o U.S. Poultry and Egg Export Council. O Brasil também tem aumentado ainda mais suas exportações avícolas para o México este ano.

De acordo com o WSJ, o analista da Mizuho Securities USA LLC, Jeremy Scott, fez uma observação. “Estão tentando enviar uma mensagem aos produtores avícolas nos Estados Unidos”, disse. Porém, devido a sua proximidade “o frango mais barato para o México sempre estará nos EUA”.

Em uma entrevista coletiva à imprensa na semana passada, Perdue, do USDA, ponderou. “Há certa ansiedade em todas os lugares”, afirmou. Porém, segundo ele, a aproximação do México aos fornecedores da América do Sul pode ser “uma estratégia de negociação para que os EUA saibam que há outras alternativas”.

Perdue manifestou ainda que os produtores e as agroindústrias americanas têm a capacidade de entregar rapidamente grãos e carne ao México a preços baratos e isso poderia ser difícil para os competidores sulamericanos, que dependem do transporte marítimo para isso. “Ninguém pode fazê-lo melhor, ninguém pode fazê-lo mais seguro, ninguém pode fazê-lo mais amigável, do ponto de vista logístico, que os EUA, e o México sabe disso”, completou.

O diretor da SAGARPA do México, Sr. Urteaga, disse que a visita do mês passado ao Brasil e à Argentina demostrou que o grão desses países pode competir em preço com os cultivos dos EUA. Acrescentou ainda que um carregamento de 25.000 toneladas de trigo argentino reservado nessa viagem deve chegar à costa do México dentro dos próximos dois meses.

Desta publicação conclui-se que o cenário comercial atual entre o México e os EUA está complicado pela incerteza ante a renegociação do TLCAN que se realizará no mês de agosto. Isto devido à nova administração dos EUA encabeçada por Donald Trump, que coloca em xeque o citado pacto comercial. Por isso, os produtores americanos estão preocupados de perder um dos principais parceiros comerciais no âmbito agropecuário, o México. O governo mexicano, por sua vez, está se resguardando, abrindo a possibilidade de países Sulamericanos abastecerem o país de grãos e carne de frango e, desta maneira, reduzir a dependência dos EUA após a apreensão das palavras do presidente norte-americano sobre o TLCAN.

Diamond V


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