31 jan 2018

Mário Penz fala dos desafios da nutrição avícola na IPPE 2018



AUTOR(ES)

Priscila Beck

Diamond V

Conteúdo disponível em: Español (Espanhol)

IPPE 2018 – O respeito a princípios básicos, como garantir fácil acesso dos animais ao alimento, primar por matérias-primas de qualidade, treinar os profissionais que fazem o manejo dos animais e aprimoramento tecnológico, foram alguns dos pontos abordados por Antonio Mario Penz Junior durante o Seminário Avícola em Espanhol. O evento, realizado durante a Internacional Production & Processing Expo (IPPE 2018), reuniu técnicos e representantes de empresas do setor avícola da America Latina no ultimo dia 29/1, no Georgia World Congress Center, em Atlanta.

Segundo o Diretor Global de Contas Estratégicas da Cargill Nutrição Animal, o primeiro passo é tratar bem os animais, garantindo-lhes alimento para que possam comer bem. “Nós temos que ter espaço de bebedouro ede comedouro, porque elas não conseguem comer”, salientou.

A qualidade foi outro ponto ponto destacado por Mario Penz. “Se elas têm condições de chegar ao comedour e ao bebedouro, temos que oferecer a elas alimentos que sejam fisicamente e quimicamente uniformes para que possam ingerir a mesma quantidade de todos os nutrientes cada vez que se dirijam ao comedouro”, destacou.

Um terceiro ponto destacado pelo brasileiro durante o Seminário refere-se ao uso das novas tecnologias com o objetivo de garantir que as rações sejam feitas de maneira uniforme. “Hoje eu falava de variabilidade e devemos observar quanto daquelas variabilidades que eu demonstrava não são fruto de animais que comem mais ou menos uma dieta diferente um do outro”, ponderou.

Sobre a qualidade das matérias-primas utilizadas para a produção de alimentos, Mario Penz afirmou que se trata de uma discussão que tem avançado a passos muito lentos e que o setor não pode se entregar ao conformismo.

“Na década de 90 eu dizia que o meu sonho era que no século XXI teríamos esse problema resolvido”, lembrou Penz. “Nos passamos 17 anos do século XXI e eu ainda vejo as pessoas tratando esse tema como algo que é assim e assim terá que ser, que os ingredientes são commodities e quanto maior a empresa, mais difícil de comprar”, completou.

Penz foi taxativo ao dizer que não se faz suco de tomate bom com tomates podres. “Se temos ingredientes bons, faremos dietas boas e os animais responderão de uma maneira melhor”, ponderou. “Lamentavelmente, já se passaram 17 anos e eu sinto essa área ainda pouco reconhecida pelos que investem e por nós mesmos nutricionistas”, completou.

O tamanho das partícula do alimento foi apontado por Penz como outro grande paradigma. Segundo o brasileiro, a literatura aborda, há cerca de 60 anos, que as aves necessitam de partículas grossas. “O intestino das aves é muito pequeno e a mãe natureza criou um mecanismo, que exige que os animais se alimentem de partículas grossas para que esse intestino funcione melhor”, salientou.

Penz destacou que há uma tendência de se pensar que os pintos, por serem pequenos e terem bicos pequenos, merecem ração pequena. Porém, segundo ele, ao oferecer uma dieta fina e uma grossa aos animais, eles preferirão a grossa.

E uma das razões para isso é que o frango não tem saliva, o que se apresenta como um problema de apreensão de origem”, destacou. “Eles não conseguem comer algo como pó, ou seja, o próprio processo físico de consumo fica comprometido com um detalhe desse tipo”, completou Penz.

Sobre a adoção de novas tecnologias, o diretor global da Cargill comentou sobre quarto fábricas da empresa que adotam a análise de ingredientes em linha. “Os ingredientes são analisados a caminho da balança e, em linha, em menos de segundos, o sistema interpreta a análise dos ingredientes e transforma a próxima fórmula de acordo com a composição do ingrediente que está passando por ali”, explicou. “Então, a formulação em linha é a formulação em tempo real e os resultados são impressionantes”, completou.

Ele citou ainda o exemplo de uma granja de frangos na Nicarágua, totalmente tecnificada, em que tudo é controlado em tempo real, que começou com 6 aviários e hoje ja conta com cerca de 20. Segundo Penz, todo o negócio é controlado por câmeras, desde a maneira como o frango está se alimentando, passando pelo nível de concentração de CO2 e umidade no ar, em tempo real.

“Não nos perguntamos mais sobre quanto tempo levaremos para que a tecnificação venha a acontecer porque esse processo já começou”, observou Penz. “Então, é bom que todos comecem a se preocupar porque é esse o futuro da avicultura”, completou.

Desafio brasileiro

Perguntado pelo aviNews Brasil sobre como tem se comportado o setor avícola brasileiro em relação aos temas colocados por ele no Seminário promovido na IPPE 2018, Mario Penz destacou o fato de a avicultura brasileira apresentar diferentes realidades.

“Temos diferentes aviculturas no Brasil, a que começou comigo, na década de 60 para 70, e a que está começando desde a dois ou três anos, e têm tecnologias distintas”, observou. Para Penz esse é um ponto importante a ser trabalhado por envolver biosseguridade, que é um dos fatores que garante ao Brasil sua colocação como maior exportador mundial de carne de frango já há muitos anos.

Como segundo grande desafio, Penz destacou a necessidade de agregação de valor aos produto avícola exportado pelo País. “Nossos concorrentes que estão chegando, estão trabalhando no limite de negócios, utilizando o frango e agregando mais valor”, observou. “Isso vem sendo feito por países como a Tailândia, Polônia, Turquia, entre outros, apresentando ao Brasil uma disputa interessante, que não era a disputa que o nosso Pais tinha com os Estados Unidos, que tem um outro tipo de proposta de produção”, conclui Mario Penz.

Direto de Atlanta



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