cage-free


AUTOR(ES)

Priscila Beck

Diamond V

Desde julho, a Ovos Mantiqueira passou a produzir diariamente, em sua granja de Paraíba do Sul (RJ), 154 mil ovos “cage-free”. Segundo o jornal Valor Econômico, trata-se de um projeto-piloto, desenvolvido numa unidade que aloja cerca de 600 mil galinhas, de um plantel de 11 milhões de poedeiras.

A Mantiqueira é a maior granja de galinhas poedeiras da América do Sul e 12ª no ranking mundial. Além da unidade do RJ, possui granjas distribuídas em Minas Gerais e Mato Grosso e um faturamento anual da ordem de R$ 500 milhões. “Estamos aprendendo a voltar ao passado sem qualquer indicador de que é viável”, afirmou Leandro Pinto, proprietário da Mantiqueira, ao Valor Econômico, salientando que ainda há muitas dúvidas, de custos à regulamentação.

A falta de informação sobre o processo no Brasil também é apontada pelo o professor Iran José Oliveira da Silva, coordenador do Núcleo de Pesquisa em Ambiência (Nupea), do Departamento de Engenharia de Biossistemas da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (ESALQ/USP), um dos principais especialistas no assunto no Brasil.

“O setor brasileiro de postura ainda é muito carente de informações. Existe a necessidade de esclarecimento e, principalmente, de um balizamento sobre o que se pode fazer em relação ao bem-estar animal das poedeiras”, afirmou o especialista, em entrevista ao aviNews Brasil no último mês de julho.

Para se lançar no segmento antes da concorrência, a Mantiqueira arrendou por dois anos a granja em Paraíso do Sul, após o pedido de recuperação judicial da Globoaves e amarrou um acordo comercial de venda exclusiva de ovos “cage-free” da marca própria do grupo Pão de Açúcar. Em três meses, a empresa adaptou as instalações da propriedade e lançou a nova linha de ovos, com investimento total estimado de quase R$ 7 milhões.

Segundo o Valor Econômico, os ovos já chegaram aos supermercados Pão de Açúcar e Extra de São Paulo e outros seis Estados do Sudeste e do Centro-Oeste do país. Segundo o gerente-geral comercial da rede varejista, Luiz Cláudio Haas, o volume de vendas surpreendeu. “Nossa expectativa era vender 1% [do volume de ovos comercializados pelo grupo], mas chegamos em setembro a 3%”.

Até dezembro, a expectativa é que o percentual alcance 5%. No caso do Pão de Açúcar, diz Haas, a categoria “cage-free” está atraindo um público intermediário, que se importa com questões como a sustentabilidade mas não pode ou quer pagar mais por ela. Esses ovos valem hoje nas gôndolas da rede R$ 6,89 a caixa de dez unidades, contra R$ 5,99 pela caixa com 12 unidades dos ovos convencionais, produzidos por galinhas presas. A caixa com dez unidades dos ovos caipira custa R$ 5,99 e a de ovos orgânicos, “top do top”, R$ 13.

As informações confirmam algumas tendências de comportamento de consumidores, apuradas a partir de levantamentos feito em 60 países. Entre elas, estão a consolidação do consumo consciente, ou seja, preocupação sobre de que forma o produto consumido impacta o planeta; a preocupação com bem-estar e saudabilidade; e o retorno às origens, que leva à valorização do alimento básico, da comida caseira.

Quem vai pagar a conta?

As margens estão controladas num esforço comum de lançamento e sensibilização do consumidor, mas poucos no setor avícola acreditam que será no mercado in natura, voltado ao consumidor, que o selo “cage-free” fará a diferença. “Os custos de produção serão de 30% a 40% superior ao do ovo convencional. E quem, de fato, está disposto a pagar? O ovo vai ficar o preço de um frango”, afirmou Fábio Yabuta, dono da Yabuta, outra gigante da avicultura brasileira, com sede em Bastos (SP), ao Valor Econômico.

Mas a Yabuta planeja investir R$ 40 milhões em duas novas granjas em Novo Horizonte do Sul (MS) – e, por via das dúvidas, uma delas será sem gaiolas. A capacidade de alocação de aves explica o porquê da diferença de preços: enquanto a granja com gaiolas receberá 1,25 milhão de aves, a sem gaiolas terá 360 mil.

A mudança, ao contrário, ocorrerá pela demanda da indústria, que compra os ovos processados para a fabricação de seus produtos e é capaz de diluir elevações no preço de certos insumos em sua composição final de custos. “É por isso que a mudança nos processos de produção de ovos não será generalizada”, diz Pinto. “A indústria representa de 15% a 20% do mercado de ovos. A maior parte vai para o consumidor“.

O Pão de Açúcar, por sua vez, acredita que o preço mais atrativo fará com que ovos “cage-free” superem as vendas dos orgânicos já em meados de 2018, mantido o ritmo atual de vendas. O raciocínio é de uma migração de nichos – não de aumento no consumo de ovos.

Por falta de regulamentação, a Mantiqueira e a Yabuta adotaram regras de bem-estar da Certified Humane, que abriu escritório em São Paulo no ano passado na esteira da pressão por mudança nas granjas. Certificadora de marcas conhecidas como Korin e a linha brasileira de frangos do chef inglês Jamie Oliver, a empresa registrou alta expressiva nas buscas sobre a certificação de aves sem gaiolas.

Luiz Mazon, presidente da Certified Humane, disse ao Valor Econômico que os acessos no site por informações sobre galinhas “cage-free” totalizaram 8,3 mil em agosto, ante 5,9 mil para demais certificações. Em julho, quando o site foi lançado, a proporção era de 8 mil para 4 mil.

E os pedidos de visitas a propriedades começaram a despontar nos vizinhos Argentina, Chile e Colômbia. “Se todas as indústrias mantiverem esse compromisso, isso significará 223 milhões de galinhas fora de gaiolas até 2025 só nos EUA – um custo de conversão de US$ 10 bilhões. É algo monumental para a indústria”, disse Larry Sadler, vice-presidente para bem-estar animal da United Egg Producers (UEP), em um evento recente em Nashville. Nos EUA, só 9,3% das galinhas poedeiras são criadas fora de gaiolas, segundo dados do governo.

Com informações do Jornal Valor Econômico



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