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AUTOR(ES)

Alexandre Barbosa de Brito

Médico Veterinário, PhD em Nutrição Animal

Diamond V

O desejo dos consumidores pelo uso de ingredientes mais sustentáveis para apoiar a performance de aves vem alterando drasticamente as estratégias nutricionais tradicionalmente empregadas para a produção de ovos comerciais. Um exemplo seria a redução do uso de agentes antimicrobianos, além da adoção de novos aditivos na composição dos alimentos, como o uso de probióticos especialmente formulados para esta finalidade.

PROBIÓTICOS

A palavra probiótico é um termo genérico que representa um grupo de produtos que podem conter células de levedura, culturas bacterianas ou ambas composições, sendo estes capazes de modificar o sistema gastrointestinal das aves ao:

fortalecer o estado de saúde;

melhorar a alimentação; e

melhorar a conversão dos animais.

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Este tema encontra-se em um momento de grande relevância, pois além das restrições descritas anteriormente, este mercado deverá experimentar uma elevação de produtividade e demanda importante nos próximos anos; sendo este incremento associado a um grupo de consumidores cada vez mais exigentes.

MERCADO PRODUTOR DE OVOS

Dados do IBGE (2020) demonstram que o Brasil produziu, em 2019, um pouco mais de 4,02 bilhões de dúzias de ovos, ou, 230 ovos/per capita/ano (Figura 01).

Quantidades de ovos produzidos em 2019 (mil dúzias)

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Figura 1. Produção Brasileira de Ovos em 2019, totalizando 48,3 bilhões de ovos produzidos no período analisado. Fonte: Modificado de IBGE (2020) e ABPA (2020)

Porém o cenário para o setor apresenta-se ainda mais desafiador.

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Para se ter uma ideia, mesmo com todos os contratempos relacionados com o tema da COVID-19, o volume de ovos vendidos no primeiro semestre de 2020 foi 5,25% superior ao mesmo período do ano passado, o que representou uma produção de quase 50 milhões de dúzias a mais do que 2019 (IBGE 2020).
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NOVAS PRÁTICAS NUTRICIONAIS

Desta forma, realizar uma transição entre práticas de novos produtos destinados a uma melhor modulação do microbioma intestinal e a manutenção da produção é algo que ganha cada vez mais importância neste setor.

Sendo assim, o uso de uma estratégia tradicionalmente adotada para outras espécies animais, ganha espaço atualmente na nutrição de poedeiras, tais como o uso de leveduras vivas.

Produtos contendo em sua formulação Saccharomyces cerevisiae, vem tomando um papel de relevância na cadeia de produção de ovos, pelo benefício que provoca na modulação do trato gastrintestinal destas aves.

Estas culturas de leveduras são utilizadas na alimentação animal há mais de seis décadas. Thrune et al. (2009) observaram que o uso da levedura triplicou nos últimos 10 anos nos Estados Unidos, passando de 16,9 para 50,8% o número de produtores que utilizam a levedura como fonte de aditivo alimentar no rebanho bovino daquele país.

LEVEDURA NA AVICULTURA

Para aves, o principal foco deste produto refere-se à excepcional modulação intestinal para um microbioma mais saudável, ocorrendo por:

concentrar todas as vantagens dos oligossacarídeos presentes na parede celular destes microrganismos;

apresentar elevado poder de redução da pressão de oxigenação do lúmen intestinal – Potencial Redox.

Estes dois artifícios unidos, possibilitam uma ação importante na performance, como veremos mais adiante.

Produtos à base de Saccharomyces cerevisiae tem uma relevância ainda maior, pois não são tão afetados, como probióticos a base de outros microroganismos, pelo uso de antibióticos como promotores de crescimento, ou mesmo em doses terapêuticas, que normalmente se utiliza para problemas sistêmicos dos animais.

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Özsoy et al. (2018), avaliaram o papel da levedura (S. cerevisiae) no desempenho de poedeiras comerciais.

Os autores investigaram os efeitos de diferentes níveis de suplementação de cultura de levedura sobre:
– peso corporal;
– consumo de ração;
– taxa de conversão alimentar;
– produção de ovos;
– peso de ovos;
– características da qualidade; e
– composição de ácidos graxos da gema de ovo.

Um total de 240 galinhas poedeiras com 18 a 19 semanas de idade foram divididas em quatro grupos e alimentadas, durante 16 semanas, com uma dieta basal contendo:

  • 2750 kcal/kg de energia metabolizável + 16% de proteína bruta.

A dieta basal foi suplementada com: 0,05%, 0,10% e 0,20% de produto de cultura de levedura comercial obtido de Saccharomyces cerevisiae.

RESULTADOS

  • Os diferentes níveis de suplementação de levedura às dietas não afetaram estatisticamente a alteração do peso corporal entre os tratamentos.
  • No entanto, o consumo de ração foi menor no grupo que recebeu 0,20% da cultura de leveduras.
  • Os tratamentos, igualmente impactaram positivamente no peso de ovos, onde os grupos alimentados com 0,10% e 0,20% de levedura foram superiores, quando comparados ao grupo controle.
  • Em relação à composição de ácidos graxos, o ácido linolênico (C18:2n6) foi menor no grupo que recebeu 0,20% de levedura.

CONCLUSÃO

Os autores concluíram que a suplementação de levedura (S. cerevisiae) à dieta de galinhas poedeiras foi benéfica para aumentar a ingestão de ração e o peso dos ovos das galinhas poedeiras sem afetar a flora microbiana em seu sistema digestivo.

 

 

 

 

Em outro trabalho, El-Kaiaty et al. (2019), avaliaram o efeito da suplementação de levedura viva no:

  • desempenho produtivo;
  • qualidade de ovos; e
  • perfil lipídico de galinhas poedeiras

Os autores trabalharam com 180 poedeiras de Isa Brown de 40 semanas de idade. Todas as galinhas foram igualmente classificadas em quatro grupos.

No 1º grupo, as galinhas foram alimentadas com a dieta basal sem suplementação (controle);

As aves dos grupos 2 a 4 foram alimentadas com a dieta basal suplementada com levedura nos níveis de 0,20%, 0,40% e 0,60%, respectivamente.

Foram medidos:

  • consumo de ração;
  • conversão alimentar;
  • produção de ovos;
  • características de casca dos ovos;
  • lipídios totais séricos, colesterol, concentrações de triglicerídeos; e
  • teores de colesterol na gema e no fígado.

RESULTADOS

  • O consumo de ração para galinhas de grupos suplementados com levedura foi significativamente menor em comparação com o controle (resultado semelhante ao obtido no estudo descrito anteriormente, demonstrando alta eficiência do animal consumindo a levedura).
  • As médias das variáveis de qualidade de casca (peso, espessura e resistência à ruptura) para galinhas suplementadas com 0,6% de levedura foram significativamente (P<0,05) melhores em comparação com os outros grupos tratados com levedura e controle.
  • A suplementação de levedura na dieta reduziu significativamente o teor de colesterol na gema e nos tecidos do fígado em comparação com o grupo controle.

No entanto, os menores valores (P<0,05) foram registrados para galinhas suplementadas com levedura a 0,6%, o que demonstra a necessidade de uso de um produto em alto nível de inclusão ou mesmo de escolha de produtos com maior grau de concentração.

Da mesma forma, os autores observaram que níveis séricos de lipídios totais e colesterol e triglicerídeos foram significativamente reduzidos nos grupos tratados com levedura do que no grupo controle; indicando, como no outro trabalho, um maior repasse de nutrientes para a gema dos ovos.

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ESTUDO AB VISTA

Em um trabalho realizado pelo Grupo da AB Vista (Gomes et al., 2020 – em processo de publicação) com a suplementação de 250g/ton de um produto de alta concentração à base de Saccharomyces cerevisiae – VISTACELL:

  • tornou as galinhas poedeiras mais eficientes para converter o alimento em massa de ovos; e
  • também tendeu a aumentar a taxa de postura de aves (equivalente a 1 ovo a mais por galinha durante um período de 20 semanas).

O peso extra do ovo foi causado principalmente pelo incremento do peso do albúmen, que pode estar relacionado a uma melhor capacidade de absorção de aminoácidos por intermédio do incremento da modulação intestinal destas aves (Figura 02).

Os autores também avaliaram:

  • incremento de 1,5% na massa de ovos;
  • redução de 1,6% no volume de carbono emitido por poedeira.

O que trouxe, para a criação, um incremento de sustentabilidade e eficiência.

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Figura 2. Peso médio dos ovos (em gramas) e conversão alimentar da massa de ovos (g de alimento/g de massa de ovos) de poedeiras de 46 a 66 semanas de idade Hy Line W80 consumindo ou não uma dieta contendo S. Cerevisae – Vistacell. Onde* = P<0,01. Fonte: AB Vista (2020)

CONCLUSÃO

Por fim, conhecer novas ferramentas que nos permitam elaborar planos nutricionais e de modulação do microbioma das aves pode permitir que ocorra um desempenho igual, ou ainda melhor aos conceitos tradicionalmente adotados, levando-se em consideração normas de bem-estar e de sustentabilidade mais modernas destas aves.

Neste conceito, o uso de produtos altamente concentrados e com excelente potencial redox a base de Saccharomyces cerevisiae possui um papel importante para elaboração destas novas estratégias.

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MERCADO +

DataProdutoValor
07/08/2020 Congelado +
(kg)
R$ 4,94
07/08/2020 Resfriado +
(kg)
R$ 4,94

* ORIGEM BASTOS (SP)
DataProdutoValor
27 - 31/07/2020 Branco +
Vermelho +
(cx. 30 dúzias)
R$ 83,91
R$ 104,32

* ORIGEM BASTOS (SP)

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