AUTOR(ES)

Bruna Barreto Przybulinski

Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Zootecnia da FCA da UFGD

Deivid Kelly Barbosa

Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Zootecnia da FCA da UFGD

Maria Fernanda de Castro Burbarelli

Professora Visitante do Programa de Pós-graduação em Zootecnia da FCA da UFGD

Rodrigo Garófallo Garcia

Docente da FCA (Faculdade de Ciências Agrárias) da UFGD (Universidade Federal da Grande Dourados – MS)

Diamond V

A cama é um importante componente do ambiente onde as aves são criadas, pois é sobre ela que as aves permanecem
deitadas por mais de 80% do seu tempo.

A demanda por material para compor a cama dos frangos de corte aumenta juntamente com a crescente produção do setor, sendo necessária a procura de materiais alternativos, que atendam às necessidades dos animais e apresentem um custo baixo para o produtor.

A qualidade da cama está intimamente relacionada com a escolha do material, pois são as características físico-químicas desse material que irão determinar sua eficiência dentro do aviário.

Embora o foco da produção seja os índices zootécnicos, um dos desafios do avicultor é manter uma cama de qualidade do início ao fim do ciclo de produção da ave, já que a cama pode afetar:

Desempenho
Bem-estar
Saúde
Qualidade da carcaça dos frangos.

CARACTERÍSTICAS FUNDAMENTAIS

Um material para ser determinado como cama, deve apresentar:

Capacidade de absorção de umidade;

Ser isolante térmico; e

Minimizar o impacto do peso da ave sobre o piso, proporcionando uma superfície mais macia e, assim, melhorar as condições de bem-estar das aves (Mendes et al. 2004).

Além disso, deve:

Apresentar na sua estrutura alto teor de lignina e celulose;

Ter partículas de tamanho médio;

Liberar com facilidade a umidade absorvida; e

Possuir baixo custo (Dai Prá e Roll 2012).

materiais de cama pododermatite

Maravalha (fragmentos de madeira)

 

materiais e cama pododermatite

Palha de Arroz

PODODERMATITES

O tipo, a quantidade e a qualidade do material utilizado como cama pode contribuir para o aparecimento de pododermatites, devido ao contato direto da ave com a cama (Cengiz et al. 2011).

A alta incidência de pododermatite no lote é um indicativo de baixo desempenho e bem-estar das aves. Pododermatite é um critério de auditoria nas avaliações de bem-estar dos sistemas de produção de frangos de corte.

materiais de cama pododermatite

Isso porque essas lesões são uma fonte direta de dor e refletem muitos aspectos das condições de criação, sendo consideradas indicadores de bem-estar.

Fatores como umidade, pH e temperatura da cama influenciam na emissão de amônia, favorecendo as lesões de patas.

MATERIAIS

Maravalha

materiais de cama pododermatiteDentre os materiais de cama para frangos a maravalha é o principal, utilizado mundialmente em virtude das suas propriedades. Entretanto, não há oferta suficiente de maravalha para suprir o setor avícola e outras cadeias produtivas e energéticas, aumentando o custo de produção.

Casca de Arroz

materiais e cama pododermatiteA casca de arroz embora seja um material comumente utilizado, depende da disponibilidade do produto, já que não há indústrias de beneficiamento de arroz em todas as localidades do nosso país, sendo restrita a determinadas regiões produtoras desse cereal.

Materiais Alternativos

Os materiais alternativos utilizados como cama de frango normalmente são subprodutos da agricultura e diminuem os custos do produtor, podendo ser utilizados desde que não afetem o desempenho zootécnico do lote. Pode-se citar como exemplo a casca de oleaginosas, palha de cereais, sabugo de milho triturado, resíduos de cana de açúcar e feno de gramíneas (Villagrá et al. 2014).

materiais de cama pododermatite

CAMA E QUALIDADE DE PATAS DE FRANGOS DE CORTE

materiais de cama podermatiteUma cama de boa qualidade, quando realizado o revolvimento durante o período de alojamento das aves e respeitado o tratamento entre o intervalo dos lotes, deve apresentar-se seca e solta, desde que não seja fonte de partículas para o ambiente, aumentando a poeira suspensa no ar.

Em contrapartida, a cama úmida e compactada favorece a emissão de amônia, podendo-se avaliar a umidade da cama pela forma de apresentação do material no aviário, ou pelas condições de higiene das aves, já que em camas mais úmidas as aves tendem a se sujar mais (Macari e Maiorka 2017).

O tipo de material afeta diretamente a absorção de umidade durante o período de criação dos frangos e isto ocorre pela característica físico-química do material escolhido (Toledo et al. 2019).

Além disso, os materiais se diferem na sua umidade original antes de serem dispostos no aviário, possuindo tamanhos de partículas diferentes e capacidade de retenção de água específicas de cada matéria-prima.

UMIDADE

Przybulinski et al (2020 – dados não publicados) analisando diferentes materiais, concluiu que materiais que possuem tamanho de partículas menores (como a casca de arroz), têm maior capacidade de absorção de água e consequentemente apresentam maior umidade.

Estes autores, avaliando uma alternativa, ao uso de materiais vegetais desidratados como o feno de gramínea para material de cama, observaram que estes tendem a reter mais água, mesmo quando misturados a materiais como a maravalha e a casca de arroz, sendo que, quanto maior a inclusão de gramínea na mistura, maior é a umidade do material.

Cengiz et al. (2011), avaliando a umidade na cama de frango, constataram que a exposição precoce à cama com alta umidade pode aumentar a incidência e a gravidade de lesões de pododermatite e que, se melhorada a qualidade dessa cama, haveria uma diminuição no grau de severidade da lesão.

As lesões são classificadas da seguinte maneira:

materiais de cama pododermatite

Fonte: Barbosa et al, 2020.

ESTUDO

Barbosa et al., (2020 – dados não publicados) avaliaram, semanalmente, os escores de pododermatite em frangos de corte de 21 a 42 dias de idade, submetendo as aves a diferentes materiais de cama, incluindo feno de gramíneas nos materiais convencionais, ou seja, maravalha e casca de arroz.

Os autores observaram que em todas as idades avaliadas houve interação significativa entre os tipos de cama e inclusão de feno de gramínea na avaliação de pododermatite.

Nas avaliações iniciais foi possível evidenciar que camas compostas por feno de gramínea e maravalha proporcionaram menores escores de pododermatite, influenciando positivamente na manutenção da integridade das patas das aves até os 28 dias.

materiais de cama pododermatite

Isso se deve:

Ao peso dos animais não ser tão elevado nas fases iniciais

Ao menor volume de excreta

Por consequência, menor umidade e compactação na cama.

Já nos resultados observados a partir dessa idade, a inclusão de feno de gramíneas em ambos os materiais afetou negativamente os escores de pododermatite.

A forma física das partículas da cama também é importante, pois materiais que possuem bordas afiadas ou protuberantes podem causar irritações na pele com presença de vermelhidão, sendo que esta irritação pode ser considerada o início das lesões, que vão se agravando conforme as aves ganham peso e a cama vai ficando mais úmida.

materiais de cama pododermatite

Relacionando os fatores apresentados, podem influenciar consideravelmente a severidade da pododermatite:

Qualidade dos materiais utilizados
Maior teor de umidade da cama
Crescimento e produção de excretas

ATENÇÃO!

Conforme descrito por Toppel et al. (2019), a umidade, que aumenta com o tempo de permanência das aves sobre a cama, afeta negativamente a saúde dos pés.

A umidade amolece e abre a matriz de colágeno da pele do coxim (Youssef et al., 2011), o que ativa o sistema imunológico e também favorece a proliferação de bactérias, acarretando assim a dermatite (Toppel et al., 2019).

A manutenção da cama durante o período em que as aves permanecem alojadas sobre a o material de cama é uma etapa crítica no processo de criação, que deve ter a devida atenção para controlar os calos de peito, nas patas e demais lesões.

Barbosa et al (2020 – dados não publicados) observaram que em idades mais avançadas e, principalmente com a utilização de maiores inclusões de materiais alternativos como o feno de gramínea, as características da cama são comprometidas, e em conjunto com o peso das aves, que nesta fase é maior, torna mais susceptível a lesões no coxim plantar.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Alguns materiais podem mostrar-se eficientes no início do período de alojamento. Porém com o acúmulo de excretas e umidade, estes materiais perdem suas características, podendo se tornar fator de queda de desempenho e bem-estar em frangos de corte.

Desta forma, a escolha do material a ser utilizado como cama deve ser cautelosa, observando-se:

As propriedades absortivas

A capacidade de perder água para o ambiente

Manutenção da umidade durante o período pelo qual a cama será utilizada

materiais de cama pododermatiteAinda, qualquer que seja o material escolhido como cama de frango, o mesmo deve ser manejado corretamente, de forma a ser capaz de controlar:
Produção de pó e amônia;

Nível de umidade;

Reduzir a incidência de problemas locomotores, lesões de coxim plantar e carcaça;

Promovendo o bem-estar das aves.

Além disso, o desempenho dos frangos pode ser influenciado pelo tipo de cama, em virtude do reduzido bem-estar e da inatividade das aves em decorrência de pododermatites.

 




MERCADO +

DataProdutoValor
22/09/2020 Congelado +
(kg)
R$ 5,91
22/09/2020 Resfriado +
(kg)
R$ 5,98

* ORIGEM BASTOS (SP)
DataProdutoValor
14 - 18/09/2020 Branco +
Vermelho +
(cx. 30 dúzias)
R$ 84,55
R$ 101,26

* ORIGEM BASTOS (SP)

SESSÕES TÉCNICAS ESPECIAIS +

REVISTA AVINEWS BRASIL +

NOVIDADES

 

REVISTA

Revista aviNews aviNews Brasil Junho 2020

ARTIGOS DA REVISTA



 
 


Consultar outras edições


aviagen
 

Cadastro Newsletter aviNews Brasil

Tenha acesso a boletins de nossos especialistas e a revista digital.



 

aviTips
aviNews Brasil
no Youtube

 
logo

GRUPO DE comunicação agrinews

Política de Privacidade
Política de Cookies