AUTOR(ES)

Natalie K. Armour & Martha Pulido-Landínez

Poultry Research and Diagnostic Laboratory, Department of Pathobiology and Population Medicine, College of Veterinary Medicine, Mississippi State University

Diamond V

Conteúdo disponível em: Español (Espanhol) English (Inglês)

O Gallibacterium anatis bv, haemolytica (conhecido anteriormente como Pasteurella haemolytica) é um comensal habitual do trato respiratório superior e do trato reprodutivo inferior de galinhas saudáveis, mas esta bactéria também foi identificada como causadora de salpingite e peritonite em galinhas reprodutoras pesadas e galinhas de postura em muitos países, levando a uma redução na produção de ovos e a um aumento da mortalidade.

Gallibacterium anatisO recente aumento no isolamento e os relatórios significativos da doença, a mortalidade e as perdas econômicas associadas a infeções causadas por G. anatis sugerem que esta bactéria poderia ser um patogênico emergente na avicultura.

Gallibacterium anatis

Biovares de G. anatis

O Gallibacterium anatis, um membro da família Pasteurellaceae, apresenta dois biovares: G. anatis bv. haemolytica e G. anatis bv. anatis.

A bactéria patogênica G. anatis bv. haemolytica, denominada assim por sua capacidade de provocar a hemólise das hemácias, anteriormente foi designada Pasteurella haemolytica. O G. anatis está associado à salpingite e peritonite em galinhas de postura, e também foi isolado como causador de doença em patos, gansos e avestruzes.

A transição de comensal para patogênico

Apesar de ter sido identificada como causadora de doença em galinhas, particularmente em galinhas de postura –Gráfico 1–, o potencial patogênico do G. anatis é controvertido. Por um lado, o G. anatis pode aparecer formando parte da microbiota do trato respiratório superior e o trato reprodutivo inferior das galinhas, sem provocar nenhum tipo de efeito adverso sobre sua saúde ou produtividade.

G. anatis foi identificado também como causador de septicemia, pericardite, hepatite, ooforite, salpingite, peritonite e degeneração folicular, com os efeitos negativos conseguintes sobre a sobrevivência e produtividade do lote.

Gallibacterium anatis

Gráfico 1. Isolamento de Gallibacterium anatis no PRDL (Poultry Research and Diagnostic Laboratory, Mississippi State University)

Fatores que contribuem para a potencial ação patogênica de G. anatis

Embora o mecanismo pelo qual se produz a mudança de comensal para patógeno ainda não seja de todo conhecido, existe uma série de fatores dependentes do hospedeiro que contribuem para a potencial ação patogênica de G. anatis:

Gallibacterium anatisIdade
Influências hormonais
Estresse
Mudanças sazonais
Imunossupressão
Predisposição genética
(presumivelmente)

Gallibacterium anatisGallibacterium anatisO G. anatis é isolado com maior frequência em galinhas reprodutoras e de postura em torno do pico de postura, embora também tenha sido isolado durante todas as fases produtivas.

Gallibacterium anatisGallibacterium anatisO G. anatis também é isolado com frequência junto com a E. coli, sendo muito possível que a coinfecção com esta bactéria ou outros microrganismos possa potenciar a ação patógena de G. anatis. No entanto, também é possível isolar G. anatis a partir de lesões mediante cultivos puros.

Diversidade de cepas

Além dos fatores extrínsecos à bactéria, existem fatores intrínsecos, específicos da cepa que parecem ter um importante papel, determinando a apresentação e magnitude da infecção.

Gallibacterium anatisEstudos realizados mediante técnicas moleculares para a diferenciação de cepas identificaram múltiplas cepas de G. anatis com importantes variações em relação à sua virulência.

 

A diferenciação de cepas de G. anatis é uma importante ferramenta que facilita a pesquisa, os estudos epidemiológicos e o desenvolvimento de vacinas.

Gallibacterium anatis

 

Epizootiologia

Transmissão horizontal vs vertical

Embora a transmissão horizontal seja aceita como via principal de transmissão entre lotes, existem evidências que sugerem a possibilidade de se produzir uma transmissão vertical –transovariana– de G. anatis.

Gallibacterium anatisNo PRDL, o G. anatis foi isolado junto com E. coli a partir do encéfalo de frangos de corte de 4 dias de vida com encefalite. Isso poderia decorrer do isolamento mais precoce de G. anatis, o que faz que nos questionemos se neste caso se produziu uma transmissão transovariana.
Gallibacterium anatis

Fatores de virulência

As variações na expressão de fatores de virulência entre as diferentes cepas poderiam explicar as diversas apresentações da infecção por G. anatis. Na atualidade, estão sendo realizados estudos para identificar os fatores de virulência associados a G. anatis a fim de esclarecer sua ação patogênica no organismo, podendo também assentar as bases para o desenvolvimento de vacinas.

  • O fator de virulência mais bem caracterizado do Gallibacterium anatis, a toxina GtxA –Gallibacterium toxina A–, tem atividade hemolítica e leucotóxica.
  • A fimbria FlfA –família de fimbrias F17- like– também se revelou importante para a virulência do G. anatis.
  • Outros possíveis fatores de virulência incluem a capacidade de o G. anatis produzir material capsular, secretar metaloproteinases capazes de degradar as IgG da galinha, formar biopelículas e produzir a hemaglutinação de hemácias.

Sinais clínicos e patogenia

O G. anatis é cada vez mais reconhecido como um importante causador de salpingite e peritonite em galinhas de postura, o que resulta em uma elevada mortalidade e em uma redução da produção de ovos.

Após a infecção natural e experimental de galinhas reprodutoras e de postura, observou-se:

Gallibacterium anatis

Figura 1. Perihepatite por Gallibacterium anatis

Hepatite –Figura 1.

Lesões do trato respiratório superior.

Gallibacterium anatis

Figura 2. Inflamação dos folículos ovarianos, associada à infecção por G. anatis, com presença de gema na cavidade celômica

Inflamação com hemorragias com ruptura e regressão dos folículos ovarianos, gemas na cavidade celômica –Figura 2.

Peritonites e salpingite –Figura 3.

Gallibacterium anatis

Figura 3. Peritonite e salpingite associadas ao Gallibacterium anatis

Hemorragias no oviduto e quedas na produção de ovos.

As lesões associadas à infecção por G. anatis não são patognomônicas e podem ser indistinguíveis das produzidas por E. coli.

Gallibacterium anatis
  • Demonstrou-se que casos de Coriza Infecciosa se exacerbavam e apresentavam uma maior mortalidade quando se produzia a coinfecção com Avibacterium paragallinarum   G. anatis.
  • Em galinhas de postura na América Latina diagnosticadas com Tifo Aviário –causado por Salmonella gallinarum–, o G. anatis pode ser isolado a partir de traqueia, folículos ovarianos e ovidutos. A mortalidade e a queda da  postura foram maiores nos galpões infectados com Salmonella Gallinarum e G. anatis do que naqueles afetados somente por Salmonella Gallinarum. Além dos sinais associados ao Tifo Aviário, as galinhas coinfectadas com Salmonella Gallinarum e G. anatis apresentavam maiores sinais de doença respiratória.

No PRDL, recentemente identificamos como causa da elevada mortalidade em um lote de galinhas reprodutoras de 42 semanas uma coinfecção com G. anatis e E. coli O128:H14.

  • Gallibacterium anatisA mortalidade diária no galpão mais afetado atingiu um pico de 2,36% (231 galinhas), precedido de uma queda na produção diária de ovos de 16% durante um período de 10 dias.

 

  • Observaram-se lesões hemorrágicas em múltiplos órgãos internos, incluindo os folículos ovarianos e as vísceras –Figuras 4a-d–, como resultado de uma severa bacteriemia multiorgânica com vasculite. Essas lesões foram confirmadas mediante histologia –Figura 4e.

 

  • O G. anatis e a E. coli foram isolados a partir de amostras de baço e medula óssea, sem que se pudessem detectar outros patógenos mediante cultivo bacteriano, isolamento de vírus ou PCR.

Antibióticos – Tratamento e resistência

O G. anatis se destaca por sua grande resistência antimicrobiana e constitui um desafio do ponto de vista terapêutico, o que evidencia a importância de aplicar técnicas de cultivo e identificação bacteriana, incluindo a determinação da sensibilidade antimicrobiana –antibiograma–, para implementar um tratamento adequado do lote.

Gallibacterium_anatis_figuras_4a_e

Gráfico 2. Sensibilidade antibiótica de 49 isolados de G. anatis recentemente avaliados no PRDL

Dos isolados de G. anatis avaliados recentemente pelo PRDL, 46 de 49 (94%) foram multirresistentes (resistentes a três ou mais tipos de produtos antimicrobianos) – Gráfico 2:

  • Resistência geral a clindamicina, novobiocina, tetraciclinas e tilosina.
  • Sensibilidade geral aos aminoglucosídeos, ceftiofur, enrofloxacina, florfenicol e sulfatrimetroprim.
  • Sensibilidade intermediária a eritromicina, espectinomicina e sulfatiazol.
  • Resistência variável a β-lactâmicos e sulfadimetoxina.
Gallibacterium anatisResultados similares foram reportados por outros autores.

 

Prevenção e controle

Da mesma forma que em outras doenças aviárias, excelentes medidas de biossegurança, altos padrões de manejo do lote, condições ambientais adequadas e atenção ao bem-estar animal são ferramentas importantes para a prevenção e o controle das infecções por G. anatis.

Dado que G. anatis se manifesta frequentemente como um patógeno oportunista, a prevenção e o controle de doenças imunossupressoras é importante.

Gallibacterium anatisO desenvolvimento de vacinas eficazes contra G. anatis constitui um desafio devido à grande diversidade genética desta bactéria, existindo ainda dúvidas sobre a validade destas vacinas em condições de campo.

Gallibacterium anatisAs bacterinas para G. anatis (geralmente contêm a cepa mais prevalente em uma região ou país) são utilizadas atualmente em alguns países.

 

Considerando a capacidade de G. anatis para formar biopelículas, devem implementar-se medidas especiais para prevenir sua formação, incluindo uma qualidade excelente da água para beber, bem como limpeza e desinfecção regular das dutos de água.

Gallibacterium anatisO recente aparecimento de G. anatis como patógeno relevante para a produção avícola é cada vez mais evidente, tal e como se deduz do aumento do isolamento desta bactéria e os informes cada vez mais frequentes de casos severos de doença, mortalidade e perdas na produção de ovos.

Gallibacterium anatisEstudos recentes ampliaram nossos conhecimentos sobre a diversidade de cepas e fatores de virulência de G. anatis, mas ainda há muito que descobrir sobre a epizootiologia e a patogênese desse organismo.

Gallibacterium anatisA propagação de G. anatis resistente aos antimicrobianos ressalta a necessidade de medidas de controle alternativas, incluindo o desenvolvimento e a aplicação de vacinas seguras e eficazes.




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