Especial Integridade Intestinal

 
22 abr 2021

Fibra Dietética e Estimbióticos, uma nova fronteira para a nutrição animal

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AUTOR(ES)

Alexandre Barbosa de Brito

Médico Veterinário, PhD em Nutrição Animal na AB Vista

Tradicionalmente, na nutrição de monogástricos, utilizava-se o conceito de fibra bruta (FB) como o único padrão envolvendo os componentes da fibra para formulações de aves de corte.

A FB compreende parte da Glicose de ligação β1-4 (ou celulose) e parte da lignina das fontes vegetais que utilizamos em nossas dietas (ex.: milho, farelo de soja).

Fibra Dietética e Estimbióticos, uma nova fronteira para a nutrição animal

Este nutriente sempre teve um papel de pouco destaque na nutrição de aves. De forma geral, em um conceito tradicional, ingredientes que incrementam o conteúdo de FB das dietas destes animais, normalmente, irão afetar a performance das aves de corte, pois esta fração possui pouco aproveitamento quanto aos eventos fermentativos, podendo ainda incrementar a taxa de passagem do bolo alimentar, entre outros fatores deletérios.

Então, sob esta ótica, nada alterou-se no conceito tradicional de fibra: o incremento de FB à dieta realmente é algo que pode interferir negativamente na performance de aves de corte.

Porém, de acordo com Choct (2015), a definição de fibra deve ser vista de forma mais ampla do que a abordagem simplista, meramente descrita no conceito de FB. Devemos evoluir sua avaliação incluindo definições baseadas nos efeitos fisiológicos da fibra e com base em métodos mais inovadores de sua determinação.

 

Poder Prebiótico da FB

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Figura 01. Resumo da relação dos vários conteúdos de fibra normalmente utilizados em nutrição animal. Fonte: Choct (2015)

A finalidade desta evolução está na busca do uso destas frações de oligossacarídeos nos processos fermentativos dos cecos das aves, incrementando o poder prebiótico deste grupo nutricional, já naturalmente presente nas dietas à base de milho, farelo de soja, trigo, etc.

Para isso, Choct (2015) sugere evoluirmos a definição para o conceito de Fibra Dietética (FD), que nos dá um cenário mais amplo das frações de fibra, expandindo o conteúdo relacionado ao volume total de polissacarídeos não-amiláceos (PNA) + lignina (Figura 01).

Como dissemos anteriormente, aves de corte possuem dificuldade, em aproveitar frações de Glicose de ligação β1-4 (ou celulose) e lignina das fontes vegetais.

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Porém os demais componentes da FD possuem um local de destaque enquanto fonte de alimento para um filo bacteriano desejável (Firmicutes), que em última instância são bactérias importantes na produção de um microbioma mais saudável nestas frações distais do intestino das aves, além de incrementarem de forma poderosa o volume de ácidos graxos voláteis (AGV), tais como: acético, propiônico e butírico (que são fontes de energia aos animais).

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Como proceder

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Visto isso, resta aos nutricionistas retirar o máximo proveito das frações fermentáveis das pectinas e hemiceluloses, já que a glicose de ligação β 1-4 e a liginina possuem um aproveitamento rudimentar para aves e suínos.

Annison & Choct (1991) descreveram de forma correta as bases para avançarmos no aspecto de nutrologia envolvendo o aproveitamento de FD pelos animais, sendo os principais desafios:

  • Evitar a solubilização destas frações de PNA no intestino delgado por uso de aditivos nutricionais especialmente desenvolvidas para tal finalidade, e, com isso,
  • Gerar um padrão de fermentação de cadeias de PNA nas frações mais propícias do trato intestinal que são os cecos dos animais.

Isso gera um espaço para o correto desenvolvimento de proteobactérias no intestino delgado, melhorando das frações de proteínas no intestino delgado; além de incrementar o desenvolvimento de bactérias fermentadoras de fibra no intestino grosso que igualmente vão consumir parte do nitrogênio, que por ventura chegue até os cecos.

Ainda de acordo com os autores, o ideal não é existir fermentação de proteína nos cecos, pois os produtos formados são geralmente aminas biogênicas, o que determinará um processo de demasiada má qualidade.

Uma forma de se investigar esta ocorrência refere-se à avaliação de ácidos graxos voláteis de cadeia ramificada (AGCR), que são normalmente presentes em processos deletérios de fermentação de proteína nos cecos (Lee et al., 2017).

Estimbióticos

Estratégias nutricionais mais assertivas para a região cecal, são aquelas que geram uma fermentação da FD, elevando a produção de AGV (como dito anteriormente) e aumentando o aproveitamento nutricional pelos animais.

Este efeito pode ser alcançado quando trabalhamos com uma ruptura correta das frações fermentáveis desta FD, com o uso de aditivos dietéticos, em especial os estimbióticos (devido à alta participação de arabinoxilanos nos grãos usualmente utilizados na nutrição de aves e suínos nas américas).

De acordo com dados do sistema Feed Quality Service da AB Vista (2021), o conteúdo de arabinoxilanos totais (solúveis + insolúveis) presentes no grão de milho (principal fonte de FD nas dietas de monogástricos) chega a ultrapassar 65kg/ton.

O termo estimbiótico foi introduzido recentemente e é definido como aditivos não digeríveis, mas fermentáveis, de ação dual (efeito energético + potencial prebiótico), que:

    • estimulam a fermentabilidade da fibra naturalmente presente nos ingredientes,
    • porém, são utilizados em uma dose muito baixa para que o próprio estimbiótico possa contribuir de maneira significativa para a produção de AGV (Figura 02).

Portanto, ao contrário dos prebióticos, que são fermentados quantitativamente pelo microbioma, o estimbiótico simplesmente melhora a fermentação da fibra que já está presente na dieta (Cho et al., 2021).

Quanto se utiliza xilo-oligossacárideos (XOS) obtidos em um grau de polimerização específico, pelo uso de aditivos Estimbióticos; o que se gera é uma forte ação de estimulação de bactérias degradadoras de fibra nas câmaras de fermentação distal de monogástricos, gerando o chamado efeito de Estimulação da Flora Cecal Degradadora de Fibra.

Fibra Dietética e Estimbióticos, uma nova fronteira para a nutrição animal

Figura 02. Mecanismos de ação de um aditivo Estimbiótico descrevendo a de ação dual do produto: a) efeito energético (produção de ácidos graxos voláteis – AGV) + efeito prebiótico (desenvolvimento de um microbioma benéfico e degradante de fibra, principalmente nas porções distais do intestino).Fonte: Cho et al. (2021)

 

De acordo com Bedford (2021), como a indústria de rações busca reduzir o uso de promotores de crescimento antimicrobianos, o setor precisa de novas ferramentas para apoiar a saúde e a produção animal.

Melhorar a fermentação da fibra ganhou um “significado maior” para os produtores, pois este incremento se traduz em uma possibilidade para redução de surtos de doenças entéricas com um custo da estratégia de modulação a baixo de outras soluções do mercado. Ainda de acordo com Bedford (2021), o aditivo Estimbiótico oferece uma oportunidade de maximizar a fermentação da fibra de forma mais eficaz e frequente, se comparado com apenas um aditivo enzimático (ex.: NSPase).

O uso desta classe de produtos estimulará em um grau muito maior, a fermentação de FD, o que gerará um microbioma mais sano para as aves.

Isso determina o maior diferencial de um atidivo Estimbiótico, sobre as outras classes de moduladores de microbioma do mercado; pois possibilita um incremento de fermentação das FD naturalmente presentes nas dietas, gerando com isso um incremento do potencial prebiótico deste composto.

O autor, ainda descreve esta estratégia como uma excelente abordagem para alimentos com redução/banimento de antibióticos como promotores de crescimento.

Esta ação DUAL (matriz nutricional + efeito prebiótico) possibilita ao aditivo Estimbiótico um potencial de custo sem igual, algo fundamental; em especial no cenário atual de preços de ingredientes/aditivos.
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