AUTOR(ES)

Ana Flávia Basso Royer

Alunos de graduação e pós-graduação (UFG)

Deibity Alves Cordeiro

Alunos de graduação e pós-graduação (UFG)

Imar Crisógno Fernandes Filho

Alunos de graduação e pós-graduação (UFG)

José Henrique Stringhini

1Professor Titular de Nutrição de Monogástricos (UFG)

Lucas Brito de Castro

Alunos de graduação e pós-graduação (UFG)

Marcos Barcellos Café

Professor Titular de Nutrição de Monogástricos (UFG)

Natiele Ferraz de Oliveira

Alunos de graduação e pós-graduação (UFG)

Diamond V

A elevada produção das atuais linhagens genéticas de poedeiras se deve, muito, a uma criação rigorosa no estágio de vida inicial das frangas, em que, atingir o peso ideal no fim do período de crescimento, é fator preponderante para o sucesso produtivo.

As dietas que compõem os diferentes programas alimentares existentes em uma granja comercial devem seguir um rigoroso processo de fabricação, com o objetivo de que não sejam impostos desafios nutricionais aos animais.

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DIVERSIDADE DE NUTRIENTES

Dentre a diversidade de nutrientes existentes nos alimentos utilizados para constituir a dieta, existem diferentes tipos de carboidratos, como o amido, que é o principal polissacarídeo fornecedor de energia das dietas, proteínas e sua diversidade em aminoácidos, minerais e vitaminas.

Grande parte dos grãos cereais utilizados como ingredientes nas formulações das rações dos animais não ruminantes, possuem em sua composição os polissacarídeos não amiláceos (PNA’s) que são:

Componentes fibrosos e que em grandes quantidades promovem a redução do aproveitamento dos nutrientes, devido à resistência à hidrólise no trato gastrointestinal (Pedersen et al., 2014).

Os PNA’s são polissacarídeos de açúcares simples constituintes da parede celular dos vegetais. Possui ligações químicas que não são hidrolisadas no trato gastrointestinal dos animais não ruminantes, por não produzirem enzimas que realizem a quebra das ligações (Caprita et al., 2010).

Esses PNA’s podem ser classificados em três grandes grupos de polissacarídeos:

Celulose
Polímeros não celulósicos
(como os xilanos e β-glucanos)
Polissacarídeos pécticos (ex. glicomananos, arabinanos, xiloglucano), dentre outras moléculas representadas na Figura 1.

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Figura 1. Classificação dos polissacarídeos não amiláceos (PNA’s). FONTE: Adaptado de Choct e Kocher (2004)

Nos ingredientes, os PNA’s podem também ser caracterizados como fibra solúvel e fibra insolúvel.

Fibras solúveis

Se associam com a água e formam um gel resultando no retardo do esvaziamento gástrico e no tempo de trânsito intestinal, o que influencia a absorção de glicose.

Fibras insolúveis

(celulose, lignina e algumas hemiceluloses) possuem efeitos mecânicos, aumentam o bolo fecal e aceleram o peristaltismo intestinal (Perry et al., 2016).

Os PNA’s são estruturas que chegam ao intestino e se ligam reagem com o glicocálix das microvilosidades e incorporam grande conteúdo de água, alterando a viscosidade da digesta e da mucosa (Tavernari et al., 2010).
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Consequentemente alteram a taxa de passagem do conteúdo intestinal, provocando alterações fisiológicas importantes, como a mudança na regulação dos hormônios gastrintestinais (Smits et al., 1996).

Além disso, são resistentes à lise enzimática, e servem como base para a fermentação bacteriana, ao chegarem intactas ao intestino grosso (Van Soest et al., 1991; Bach Knudsen, 2001; Montagne et al., 2003; Theuwissen e Mensink, 2008).

CONDIÇÕES DE INCLUSÃO DE FIBRA

Em geral, as condições de inclusão de fibra são estimadas para o máximo aproveitamento e desempenho do animal (Mateos et al., 2012).

MOELA E INTESTINO DELGADO

Visando uma eficiência mais elevada, a importância da utilização de conteúdos ricos em fibra no desenvolvimento da moela e intestino delgado é um ponto essencial da sua inclusão nas dietas de desenvolvimento de frangas de postura.

Quando o material que está sendo digerido fica por mais tempo no estômago mecânico, há o aumento do refluxo gastroduodenal, o que provoca a presença de quimo neste órgão, aumentando assim, a concentração de enzimas digestivas na parte superior do trato digestivo (Hetland et al., 2003).

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Sabendo-se que os ácidos biliares exercem efeitos estabilizantes sobre as proteases digestivas prevenindo que elas sofram autólise e consequente redução da relação enzima-substrato, tem-se que a maior produção de ácidos biliares pelo fígado permite uma digestibilidade mais eficiente dos nutrientes (Hetland et al., 2004).

Dessa maneira, o organismo consegue aumentar o aproveitamento dos ingredientes disponíveis na dieta.

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CECOS

Ao adicionar fibras na dieta das aves, além do aumento do tamanho da moela – consequentemente da força muscular – há o aumento dos cecos, o que permite uma maior extração de energia dos componentes fibrosos através de uma maior quebra dos alimentos ingeridos e maior produção de AGCC, respectivamente (Steven et al., 2020).

Em trabalho realizado na UFG (Universidade Federal de Goiás) observou-se alteração no peso da moela, especialmente em frangas com 6 e 12 semanas de idade que receberam 3% e 3,5% de fibra na dieta proveniente do farelo de trigo e bagaço de cana hidrolisado nas dietas (Tabela 1)

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Tabela 1. Peso relativo da moela (MO) de poedeiras alimentadas com bagaço de cana (BC) e farelo de trigo (FT) com níveis distintos de fibra bruta (FB) na fase de cria e recria (4, 6, 12 e 18 semanas de idade) Médias seguidas por letras distintas diferem pelo Teste de Tukey com 5% de significância. Adaptado de Royer (2018).

DESEMPENHO DA AVE

Ao utilizar componentes fibrosos na ração devemos nos atentar para o desempenho da ave, como observado por Braz et al. (2011) em estudo avaliando duas linhagens distintas de poedeiras comerciais alimentadas com diferentes inclusões de FDN na dieta da 7ª a 17ª semana de idade.

Notou-se que o nível maior de inclusão não promoveu diferença estatisticamente significativa, evidenciando que o nível de fibra da dieta não afetou o desempenho das galinhas (Tabela 2).

A adição de fibra na dieta pode ser utilizada para controlar os níveis energéticos da ração e, consequentemente, evitar que as frangas das linhagens de alto desempenho sofram com sobrepeso no final da fase de desenvolvimento (Scheideler et al., 1998).

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Tabela 2. Desempenho de linhagens leves e semipesadas na fase de postura alimentadas na fase de 7 a 17 semanas de idade com dietas formuladas com três níveis de fibra em detergente neutro (FDN)

Médias seguidas de letras minúsculas na coluna diferem entre si pelo teste SNK (5%) ns: Não siginificativo; *(P<0,05)
CR: Consumo de ração; % post: Percentual de postura; PO: Peso médio dos ovos; MO: Massa dos ovos; CA: Conversão alimentar Fonte: Braz et al. (2011)

EFEITOS DA FIBRA NA MICROBIOTA INTESTINAL

Além dos efeitos já citados, é importante entender os efeitos da fibra na constituição da microbiota intestinal das aves para que, assim, seja possível compreender a relação hospedeiro/microorganismo do trato gastrintestinal, bem como os mecanismos de defesa (Steven e Michael, 2020).

A microbiota intestinal equilibrada é vital para a manutenção da saúde intestinal das aves e, consequentemente, da saúde como um todo.

A diversidade de alimentos e a presença de fibras na dieta – principalmente fibras solúveis – promovem o aumento da diversidade da microbiota intestinal (Xu, 2016).

Isso ocorre porque as bactérias fermentativas degradam as fibras, e os mono, di e oligossacarídeos resultantes desse processo, são utilizados como fontes de energia para esses microrganismos (Moeller, 2017).

DESEMPENHO DA AVE

Alguns monossacarídeos são fermentados pela microbiota intestinal da ave e promovem a formação de ácidos graxos de cadeia curta (AGCC), principalmente acetato, butirato e propionato. (Donohoe, 2011).

O acetato é utilizado como fonte de energia para o tecido muscular;
O
propionato atua na formação de glicogênio no fígado, reduz o pH no colon, mantém o equilíbrio da microflora intestinal; e
O
butirato fornece 70% da energia requerida pelas colônias de células do tecido epitelial, permitindo a proliferação dessas colônias (Donohoe, 2011). sendo importante para o desenvolvimento desses tecidos.

Bactérias como Faecalibacterium prausnitzii e Roseburia intensis podem utilizar acetato para produzir butirato. O butirato estimula o crescimento e a proliferação de bactérias incluindo Faecalibacterium, Roseburia, Coprococcus e Anaerostipes (Duncan et al., 2002 e FerreiraHalder et al., 2017). Nesse sentido, o butirato ocasiona o crescimento da camada mucosa e, com o aumento da barreira física existente, reduz a invasão de bactérias patogênicas (Earle et al., 2015).

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FERMENTAÇÃO

A fermentação das fibras ocorre de forma mais expressiva nos cecos e em menor intensidade no inglúvio, ou papo, local em que há atuação de bactérias ácido-láticas produzindo, principalmente, acetato e lactato como produtos finais (Rehman et al., 2007).

Nos cecos existe uma população microbiana complexa, incluindo bactérias anaeróbias estritas, que produzem um volume importante de AGCC (Steven e Michael, 2020). Neste local ocorre extensa fermentação de carboidratos e elevada formação de AGCC e amônia, a partir da degradação de ácido úrico (Svihus et al., 2013).

Além disso, análises da população microbiana do ceco e a quantificação da produção de AGCC produzidos por ela, mostraram que o acetato é produzido em maior volume, seguido do propionato e do butirato (Rehman et al., 2007).

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Com isso, nota-se a considerável importância das fibras presentes nos grãos da dieta pois são capazes de promover um melhor aproveitamento tanto dela própria como dos demais nutrientes a partir da modulação da microbiota intestinal das aves, além de atuar na regulação do consumo alimentar.

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23/11/2020 Congelado +
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