junho 2018

FAO pede retirada de antimicrobianos promotores de crescimento

Os antimicrobianos são importantes para proteger a saúde dos seres humanos e animais, porém esses medicamentos devem  ser usados de maneira responsável, inclusive nos setores agrícola, assegurou o Diretor Geral da FAO, José Graziano da Silva. A afirmação foi feita em uma reunião de coordenação de alto nível da ONU (Organização das Nações Unidas), sobre a resistência aos antimicrobianos (AMR, sigla em inglês).

“A FAO defende que os antibióticos e outros antimicrobianos somente devem ser utilizados para curar doenças e aliviar sofrimento desnecessário”, explicou Graziano. “Somente em circunstâncias muito específicas devem ser empregados para prevenir uma ameaça iminente de infecção”, completou.

Após lembrar que os antimicrobianos continuam sendo utilizados para estimular o crescimento – especialmente no setor pecuário e na aquicultura -, o Diretor Geral da FAO advertiu que tais práticas “deveriam ser eliminadas de imediato”. Também destacou a necessidade de suspender o uso de antimicrobianos como biocida nas plantações, situação que vem fazendo com que alguns fungos se tornem mais resistentes aos tratamentos.

Graziano da Silva fez essas declarações em Divonne les Bains, na França, durante a reunião do Grupo de Coordenação Interinstitucional sobre Resistência aos Antimicrobianos, que inclui a FAO, a OMS (Organização Mundial da Saúde) e a OIE (Organização Mundial de Saúde Animal).

Em 2017 a FAO divulgou a estimativa de que 700 mil  pessoas morrem todos os anos por infecções com resistência aos antimicrobianos e um número incalculável de animais doentes pode não estar respondendo ao tratamento. A entidade cita estudos que apontam que a AMR poderá provocar até 10 milhões de mortes ao ano e mais de US$100 bilhões em perdas para a economia mundial em 2050.

Graziano da Silva destacou que até a data do encontro, apenas 89 países indicaram que contam com um sistema para coletar dados sobre o uso de antimicrobianos nos animais de granja e que “a AMR não será resolvida em poucos anos. Exigirá atenção e orientação permanente”.

“Apenas trabalhando de forma conjunta, a comunidade internacional poderá abordar os desafios que da AMR para o desenvolvimento sustentável”, disse Graziano, destacando o importante papel não só dos governos, como também da sociedade civil e setor privado.

Fortalecer os sistemas de vigilância e monitoramento

 

O Plano de Ação da FAOsobre a AMR busca melhorar a conscientizaçãosobre o problema e as ameaças associadas; desenvolver a capacidade de vigilância e monitoramento; fortalecer a governança; e promover boas práticase uso prudente dos antimicrobianos. Dentre os esforços para implementar o plano de ação, a FAO apoia os países e as comunidades rurais.

“Isso é especialmente importante onde a legislação, a vigilância regulatória e os sistemas de seguimento são débeis ou inadequados”, segundo Graziano da Silva.

Colaboración estrecha con la OMS y la OIE

 

A FAO, a OMS e a OIE decidiram intensificar seu trabalho conjunto através de um Memorando de Entendimento, que inclui reforçar a colaboração frente a AMR. Graziano da Silva citou vários exemplos onde as três organizações colaboraram com êxito.

Entre eles está o apoio ao Governo de Gana, que no mês passado lançou uma normativa para a resistência aos antimicrobianos e um plano de ação nacional. A FAO, OMS e OIE estão apoiando também o Governo de Cambojapara incorporar e implementar o uso responsável de antimicrobianos em sua legislação e, no Vietnã, a FAO ajuda a coletar amostras em sistemas aquícolas para aumentar a vigilância.

Conteúdo retirado do site da FAO

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