03 ago 2021

Doença de Newcastle: estudo identifica fatores de risco em populações de aves de subsistência

Luciano Lagatta Doença de Newcastle


AUTOR(ES)

Priscila Beck

Diamond V

A doença de Newcastle é de notificação obrigatória e, no Brasil, a última ocorrência registrada foi em aves de subsistência em 2006. As aves de subsistência são potenciais reservatórios de doenças e têm sido objeto de atenção sobre a ótica epidemiológica, sendo de grande preocupação também das empresas avícolas, principalmente aquelas que possuem estabelecimentos cercados pela criação de aves de subsistência.

“De acordo com alguns autores e por relatos e estudos, a ausência de medidas de biosseguridade, assim como o contato contínuo com aves de vida livre, tornam essas criações mais susceptíveis as infecções virais”, explica o mestre em produção e nutrição animal e diretor do GDSA (Grupo de Defesa Sanitária Animal), Luciano Lagatta.

Luciano Lagatta Doença de Newcastle

Por isso, a OIE preconiza a análise de risco como ferramenta para avaliar os riscos de introdução e disseminação de agentes patogênicos em uma determinada população, bem como estimar a probabilidade de ocorrência de uma doença.

“Ela é realizada em quatro etapas, sendo a primeira etapa a identificação do perigo, nesse caso o vírus da doença de Newcastle; a avalição do risco; a introdução e a disseminação do vírus; e como vamos lidar com esses fatores avaliados e comunicar com as partes interessadas”, explica Lagatta.

Fatores de risco para a introdução e disseminação do vírus da doença de Newcastle em populações de aves de subsistência

O estudo buscou identificar as possíveis fontes de infecção e as vias de transmissão associadas à introdução e disseminação do vírus da doença de Newcastle em populações de aves de subsistência, localizadas no entorno de estabelecimentos avícolas de reprodução no Estado de São Paulo.

Foram identificadas 104 criações de aves de subsistência inseridas no entorno de cinco estabelecimentos avícolas de reprodução, totalizando 2.423 aves. A escolha desses estabelecimentos foi estratégica, relacionada a duas grandes empresas que produzem genética de frangos de corte e de postura comercial.

Para o estudo se optou pelo uso de um instrumento de coleta de dados, bem como a colheita de soro e de suabes de traqueia e cloaca para exames complementares. E, também, foi elaborado um questionário com premissas classificadas como positivas e negativas, para avaliar os fatores de risco relacionados à introdução e à disseminação de doenças nessas populações.

O estudo

Entre outubro de 2017 e outubro de 2018, foram visitados 81 criatórios, representando 77,88% dos criatórios identificados, foram inspecionadas 1.530 aves, 63,14% das aves identificadas. Dessas 1.530, 30 eram anseriformes e não entraram no estudo sorológico.

A colheita de amostras ocorreu em 36 criatórios representando 93,8%, sendo que cinco não permitiram a colheita de amostras por questões particulares. Foram colhidas 533 amostras, representando 24% das aves que estavam cadastradas. 53% dos criatórios apresentaram aves positivas, sendo 86 aves.

Com o uso do questionário, atrelado ao resultado da sorologia, foi possível identificar seis premissas como sendo os principais fatores de risco nos criatórios com resultado sorológico positivo.

O grande destaque é o contato com aves de vida livra, então, dos 46 criatórios, 39 afirmaram que as aves de criação têm contato contínuo com aves de vida livre. “Neste caso, o fator a ser trabalhado é evitar que as aves de vida livre tenham contato com a criação”, explica o coordenador.

Em segundo lugar foi identificada a ausência de sanitização, que é a limpeza e desinfecção do ambiente. Também chama atenção a falta de assistência veterinária, que auxiliaria tanto em questões preventivas quanto paliativas da infecção.

Outro fator que apareceu em grande proporção, de 74,4%, foi o de vizinhos que alojam aves, além da origem informal das aves de criação. Por último, o descarte inadequado das aves mortas, muitas vezes em lixo doméstico.

“Chama a atenção o que ocorre nas cidades, com o lixo sendo colocado de qualquer maneira nas esquinas, facilitando a disseminação das doenças”, alerta.

A seis premissas apontadas como principais fatores de risco precisam de maior atenção por parte dos criatórios e obviamente pelas empresas avícolas.

“A prevenção e o controle de doenças nas aves de subsistência no entorno dessas unidades são, sim, de responsabilidade das empresas avícolas, e obviamente do serviço veterinário estadual, que deve investir em ações de monitoramento, comunicação e educação em saúde única. Dessa forma é possível proteger o plantel e garantir as exportações de frango”, finaliza Lagatta.

Podcast da FACTA: confira o podcast do Luciano Lagatta completo em:

https://open.spotify.com/episode/5TVVuTwSXZNb7v7zOkw1s5

Diamond V


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