12 fev 2019

Disfluência aplicada ao processamento das aves

broilers

Conteúdo disponível em: Español (Espanhol)

O presente artigo tem como objetivo atender a uma solicitação pontual de muitos empresários e/ou seu colaboradores: Existe uma metodologia para aprender os diferentes aspectos que constituem o Mapa Mental dessa parte final do negócio, facilitando a realização diária de um trabalho gerencial efetivo? A resposta é SIM.

Antes de abordar o assunto, considero de vital importância descrever o ambiente cotidiano onde realizamos nossa gestão profissional. A era da internet, que nos facilitou a qualidade de vida em geral, se caracteriza por oferecer uma contínua avalanche de informações, que nos oprime se não soubermos lidar com ela, mas que quando a dominamos constitui uma efetiva ferramenta de gestão integral.

Cegueira da informação

Quando precisamos de algum dado pontual consultamos usualmente o Google, que generosamente nos apresenta muitas páginas para que tenhamos todo o conhecimento atualizado. A reação de alguns de nós é de espanto e desconcerto, porque não sabemos por onde começar. Esta situação é denominada “Cegueira da Informação”, que nos impede de tirar o máximo proveito do conhecimento consignado neste prático portal de pesquisa rápida.

procesamiento aves

Os estudos sobre esta problemática concluíram que a capacidade para aprender da informação disponível e atualizada, não tem estado em sintonia com o seu ritmo acelerado de crescimento. Essa circunstância especial levanta a necessidade terminante de encontrar uma técnica para alcançar esse objetivo, já que os dados encontrados são efetivos elementos de gestão gerencial, se os soubermos utilizar.

Ao gerar disfluência , facilita-se a aprendizagem

Para solucionar este problema, os especialistas concluíram que, ao gerar disfluência, facilita-se a aprendizagem. Esse conceito é definido como a capacidade de desmembrar a informação em pequenos fragmentos, para dessa forma assimilá-la cabalmente. Este processo é denominado triagem ou peneiração, que permite armazenar em nossa mente usando pastas devidamente identificadas por temas. Consequentemente, quando se requer um dado em particular, o cérebro seleciona a pasta adequada e nos permite relembrar todo o conhecimento adquirido, a fim de tomar a decisão correta.

Um exemplo simples o ilustra melhor: se nos oferecem uma lista de vinhos e não somos especialistas nesse tema, a pessoa que nos atende gentilmente nos facilita as coisas, dizendo que há dois tipos: branco ou tinto, e nos explica qual devemos tomar conforme o tipo de carne que vamos consumir. Além disso, nos dá os preços e menciona algumas marcas. Com essa informação básica podemos tomar uma decisão para fazer o pedido em um restaurante.

Como podemos aplicar o conceito anterior à nossa atividade diária, onde pontualmente devemos voltar-nos para os seguintes objetivos?

  • Diminuir as interdições
  • Aumentar o rendimento dos frangos processados
  • Reduzir os gastos de operação
  • Aumentar o valor agregado dos produtos

ALGUMAS PAUTAS QUE DEVEMOS LEVAR EM CONTA

Gestão em tempo real dos pequenos detalhes para adotar as ações corretivas sobre o andamento, com o objetivo de manter todas as operações dentro dos parâmetros de controle estabelecidos. Conhecimento do ambiente que envolve uma atividade em particular.Exemplo: captura dos frangos, aturdimento, etc. Esta técnica nos permite localizar os fatores que potencialmente podem afetar a qualidade, inocuidade e o rendimento dos frangos processados. Poder dispor de conceitos e experiências sobre administração e os detalhes mais relevantes da matéria-prima que chega à planta: os frangos.

Estabelecer uma série de pautas que permitam definir os aspectos centrais sobre o tema em particular, objeto de estudo. Algumas dicas podem ser úteis. Exemplo: jejum.

  • O que se entende por este processo?
  • Aspectos a considerar para que se desenvolva manualmente
  • Condições especiais que o afetam
  • Efeitos na qualidade, inocuidade e o rendimento dos frangos processados
  • Que detalhes da fisiologia das aves devem ser conhecidos?
  • Aplicação prática de todos esses conceitos, a fim de conservar uma curva operacional padronizada.

CASO PRÁTICO

Por que as penas da cauda e das asas são as mais difíceis de remover?

Lembrando que uma forma pragmática de avaliar a qualidade da escaldagem é tentar retirar manualmente as penas da cauda, fazendo o menor esforço possível. Isto é, suavemente como ocorre com as que se encontram na região do peito. Especialistas consultados há muitos anos comentaram que se essa operação de controle não era realizada com facilidade, significava que os folículos não tinham se dilatado completamente e, portanto, as penas também não estavam soltas dentro deles. Portanto, era necessário revisar a operação de escaldagem para confirmar que os frangos durante o percurso dentro do tanque, estavam totalmente submersos. Se esta condição era cumprida acompanhada de uma turbulência uniforme da água em toda a superfície sob temperatura e tempo de permanência adequados, resolvia-se o problema.

Apesar de todo o cenário anterior ser correto, não se conseguia remover satisfatoriamente as penas nessas duas áreas. Em outra ocasião aprendi outro conceito: “O excesso de corrente no aturdimento elétrico, gera uma maior contração muscular, afetando a efetividade da depenagem”. No entanto, o problema persistia ainda que se constatasse que o aturdimento era correto

Há aproximadamente cinco anos, assisti a uma conferência sobre fatores que afetam a qualidade dos frangos processados, e o palestrante explicou que as penas mais difíceis de remover são as da cauda e das asas, porque são as únicas que estão inseridas nos músculos. Consequentemente, se a voltagem e, portanto, a amperagem aplicada aos frangos for excessiva, aumentará a contração muscular em geral. Portanto, as penas nessas duas áreas chegam ao escaldador mais apertadas, requerindo o aumento da temperatura da água com o objetivo de dilatar essas áreas dos frangos. Entendidos os conceitos anteriores, constatou-se que a remoção das penas da cauda melhorava significativamente, mas a presença de penas nas asas persistia, e era necessário colocar pessoas na saída da última depenadeira para terminar de removê-las.

Não fazê-lo nesse local, onde o calor corporal das aves é relativamente alto, representava gargalos nas seções de embalamento de frangos inteiros e desmembrados. Uma pena em um frango embalado afeta a sua qualidade visual e questiona a efetividade dos controles de processo que devem existir na planta. Aprofundando mais no trabalho de campo nos abatedouros, estabeleceu-se que muitas depenadeiras estavam totalmente niveladas. Outras estavam inclinadas para cima na entrada e/ou saída e algumas desniveladas um pouco também na saída.

As penas das asas dos frangos se mantêm entrelaçadas, logo antes de entrar na primeira depenadeira, por estarem tão juntos uns dos outros. À medida que as penas dessa área vão sendo retiradas, as asas começam a pender por ação da gravidade. Consequentemente, à medida que avançam entre os discos porta-dedos, se as máquinas estiverem totalmente niveladas — paralelas ao chão —, as asas saem da área de contato dos dedos inferiores.

broilersA situação se torna mais crítica se as depenadeiras estiverem inclinadas para cima na saída. É por esse motivo que os fabricantes desses equipamentos recomendam uma inclinação sequencial na saída entre 0 e 1 polegada para aumentar a sua efetividade na remoção dessas penas. Nesse ponto é importante lembrar que o calor corporal adquirido durante a escaldagem, deve conservar-se no trajeto da saída desse equipamento e a entrada na primeira depenadeira. Deve-se cumprir a mesma condição durante toda a depenagem. Esse requisito é facilitado se for utilizada água morna (entre 34 e 38 °C) nos aspersores das depenadeiras para impedir que as penas se acumulem nos dedos e nos respectivos discos e ganchos que seguram os frangos.

Este procedimento tem como objetivo aprender das experiências e observar as decisões tomadas a partir de diferentes perspectivas. Toma como ponto de referência o passado (vivências), para localizá-lo em um novo contexto de referência. “subverte o anseio de nosso cérebro pelas decisões binárias – vinho branco ou tinto?”- Dr. Eric Johnson, psicólogo Universidade Columbia (EUA). Esse pesquisador sugere como rotina de trabalho: “fazer-se perguntas não convencionais para obrigar o cérebro a mudar a ótica tradicional diante das situações apresentadas”.

A título de resumo, podemos afirmar que: “Qualquer problema pode ser resolvido passo a passo. Se dividirmos o que nos preocupa em partes cada vez menores, poderemos pensar com mais tranquilidade”. Convido meus caros leitores a combinar a paixão que nos domina neste emocionante mundo do frango de corte com a disfluência, para facilitar o processo integral de aprendizagem dos pequenos detalhes. Dessa forma, o trabalho cotidiano de gestão das atividades nessa parte final deste negócio será muito mais produtivo.




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