16 jun 2021

Milho: cotação sobe 12 vezes mais que a inflação e afeta produção de frango

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AUTOR(ES)

Priscila Beck

Diamond V

Conteúdo disponível em: Español (Espanhol)

A cotação do milho disparou 34,8% neste ano de 2021 e registrou aumento de 102,6% nos últimos 12 meses, alta que é 12 vezes maior que a inflação geral, segundo a OARS (Organização Avícola do Rio Grande do Sul).

A entidade, que reúne a Asgav (Associação Gaúcha de Avicultura) e o Sipargs (Sindicato das Indústrias de Produtos Avícolas no Estado RS), considerou a inflação acumulada dos últimos 12 meses (8,06%) segundo o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) divulgado no último dia 9/6 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

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“Essa escalada de preços fora dos patamares de normalidade gera impactos diretos na avicultura gaúcha, que compra o cereal para fabricar ração animal”, destaca a Organização em nota enviada à imprensa. A entidade destaca que o milho continua sendo a base da alimentação das aves e a subida exacerbada de preços tornou os custos de produção insustentáveis.

Isso, segundo a OARS tem exigido esforço da cadeia produtiva para evitar que produtores abandonem a atividade e indústrias de abate não diminuam o ritmo de produção, situação esta última que não foi possível evitar. O presidente da Asgav, José Eduardo do Santos, enfatiza que muitos produtores e indústrias, por iniciativa própria, reduziram a produção para evitar ao máximo repassar essa alta agonizante para o consumidor.

Nós vemos os consumidores como parceiros e os protegemos de qualquer majoração de preço, pois queremos continuar sendo a proteína animal mais acessível na mesa de todos, destaca Santos. Ele ressalta que comparações com índices inflacionários são incompatíveis com a realidade formada por todos os entraves que pressionam o sistema de produção avícola.

Esse tipo de relação é superficial e tem o intuito de ‘vilanizar’ o setor, lugar que não aceitamos ser colocados”, determina.

Para ficar mais claro, Santos exemplifica os impactos econômicos para o setor em 12 meses em relação ao milho. “Se antes o produtor, ou indústria, gastava R$19.240,00 para alimentar 10 mil aves (milho), hoje ele gasta R$40.000,00, que justifica a reposição parcial dos custos na carne de frango”, esclarece.

Além do milho, o farejo de soja também é usado na produção de alimentação para as granjas. Em 12 meses, o insumo subiu em torno de 46,3%, o que se soma aos já elevados custos de produção que a avicultura gaúcha vive há, pelo menos, seis meses.

Também nesta quarta-feira (16/6), entidades catarinenses representantes das Agroindústrias enviaram nota a imprensa afirmando que os altos custos de produção ameaçam o setor. Confira a manifestação das entidades catarinenses clicando aqui.

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