04 set 2017

Impacto da temperatura do embrião na qualidade do pintinho

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Sem dúvida a temperatura é o fator mais crítico na incubação (Meijerhof, 2013). Vários experimentos e resultados de campo demonstraram que diferenças de frações de graus centígrados na temperatura influenciam o desenvolvimento embrionário (Romanoff, 1960), a eclodibilidade (Wilson, 1990), a qualidade do umbigo (Lourens et al., 2005, 2007; Hulet et al., 2007) e o desempenho pós-eclosão (Foote, 2014). A temperatura durante a incubação influencia o peso dos órgãos, desenvolvimento do sistema cardíaco, dos músculos e tendões (Oviedo-Rondón, 2014).

Entretanto, o fator determinante não é a temperatura do ar, mas a temperatura da casca, que é um reflexo da temperatura do embrião.

É considerado que temperaturas da casca entre 37,5 a 38,06°C (99,5 a 100,5°F) são ótimas para o desenvolvimento dos embriões (Oviedo-Rondón, 2014), segundo a Cobb as temperaturas ideais são de 100 a 100,5°F. Pol et al.,2014 relataram que embriões mantidos com temperatura de casca, Muito Alta – 39,4°C, durante a incubação, apresentaram menor comprimento de tíbia, fêmur e metatarso. Apresentaram ainda pior score de umbigo, menor comprimento corporal, menor peso, maior gema residual e estômago, fígado e coração menores.

O desenvolvimento da bursa e do timo são reduzidos pelas temperaturas elevadas (37,8 vs 38,8°C, 40,1-40,6°C na casca, a 65 ± 2% de UR) durante a incubação (Oznurlu et al., 2010). Este efeito pode ser observado em pintos de uma semana pelos sintomas de imunossupressão. Altas temperaturas da casca durante a incubação (38.9°C) alteram o desenvolvimento do músculo cardíaco (Christensen et al., 2004b; Leksrisompong et al., 2007) e podem ocasionar hipertrofia ventricular direita e aumento da mortalidade especialmente causada por ascites (Molenaar et al., 2011).

Por outro lado, baixas temperaturas também provocam grandes perdas no processo de incubação (Hill, 2011). Baixas temperaturas irão prolongar o tempo de incubação, aumentando as mortalidades finais, gerando pintos atrasados, excesso de bicados, além de pintinhos com excesso de umidade, o que não é desejável.

Na figura 2, podemos observar a curva de produção de calor do embrião ao longo do processo de incubação. Nota-se que essa produção aumenta significativamente após os 10 dias de vida, atingindo seu ponto máximo no nascimento, sendo nos dias 18-19, antes da transferência os períodos críticos de manutenção da temperatura dentro dos parâmetros desejados.

cobb incubacion temperatura 1

Existem disponíveis no mercado máquinas que possuem scanners que monitoram a temperatura de casca durante todo o processo de incubação, modulando a máquina para suprir adequadamente as necessidades do embrião, evitando assim estresse ao embrião. Essas ferramentas tornam mais fáceis essa tarefa, gestão dos dados e alcançar melhores resultados.

No entanto, as máquinas de estágio múltiplo não possuem essa ferramenta, e para monitorar a temperatura do embrião devemos utilizar um termômetro digital de ouvido, realizando as medições na parte superior, média e inferior das prateleiras, no fundo meio e frente da máquina, medindo cinco ovos por bandeja, com o intuito de mapearmos pontos com altas temperaturas, acima de 102°F e fazermos as correções necessárias.

O momento ideal de realizarmos essa medição é o mais próximo possível da transferência, que é o momento mais crítico de produção de calor, ou seja, 18 dias.

Com as informações coletadas, teremos uma visualização da situação da incubadora/carga de ovos e poderemos estimar quanto dos embriões estão submetidos a elevadas temperaturas e onde são os pontos críticos que devemos atuar, conforme observamos no gráfico 3.

cobb incubacion temperatura 2

Quando temos a situação demonstrada acima, com regiões da máquina acima de 102°F, teremos a janela de nascimento demonstrada no gráfico 4. Com uma janela de nascimento muito adiantada, com pintos nascidos 43 horas antes do saque, que consequentemente ficarão desidratados.

cobb incubacion temperatura 3

Na tabela 1 podemos observar a mortalidade de campo dos pintos expostos a temperaturas elevadas. Com mortalidades muito superiores aos pintos expostos a temperatura normal.

cobb incubacion temperatura 4

Além de influenciar em diversos aspectos o desenvolvimento do embrião, conforme mencionamos anteriormente, variações na temperatura de casca irão afetar diretamente a janela de nascimento, afetando assim a qualidade dos pintinhos. Embriões expostos a temperaturas elevadas irão nascer prematuramente, da mesma forma que embriões com temperaturas mais baixas, irão nascer tardiamente (Hill., 2011).

*Guilherme Seelent é assistente técnico da Cobb-Vantress

Referências bibliográficas

  • Christensen, V.L., Wineland, M.J., Yildrum, I., Ort, D.T. and Mann, K.M. 2004b. Incubator temperature and oxygen concentration at the plateau stage affect cardiac health of turkey embryos. J. Ani. Vet. Adv. 3:52-65
  • Cobb-Vantress. Hatchery Management Guide. Arkansas, 2013.
  • FACTA – FUNDAÇÃO APINCO DE CIÊNCIA E TECNOLOGIA AVÍCOLAS. Manejo da Incubação 3ª ed. Campinas, 2013.
  • Hill, D. The Hatch Window. XXII Latin American Poultry Congress. June de 2011.
  • Hulet R, Gladys G, Hill D, Meijerhof R, El-Shiekh T. Influence of Egg Shell Embryonic Incubation Temperature and Broiler Breeder Flock Age on Posthatch Growth Performance and Carcass Characteristics. Poultry Science 2007; 86:408-412
  • Leksrisompong, N., Romero-Sanchez, H., Plumstead, P.W., Brannan, K.E., and Brake, J. Broiler incubation: 1. Effect of elevated temperature during late incubation on body weight and organs of chicks. Poultry Science 2007. 86: 2685-2691.
  • Lourens A, Brand H van den, Heetkamp M J W, Meijerhof R, Kempt B. Effects of Eggshell Temperature and Oxygen Concentration on Embryo Growth and Metabolism During Incubation. Poultry Science 2007; 86:2194-2199
  • Lourens A, Brand H van den, Meijerhof R, Kempt B. Effect of Eggshell Temperature During Incubation on Embryo Development, Hatchability, and Posthatch Development. Poultry Science 2005; 84:914-920
  • Maiorka, A., Luquetti, B. C., Macari, M. Idade da Matriz e Qualidade do Pintinho. In: Macari et al, editores. Manejo da Incubação. Campinas: FACTA;2013. p. 163-175
  • Meijerhof R. Aspectos físicos da incubação e sua relação com o desenvolvimento embrionário. In: Macari, Marcos et al. Manejo da Incubação. Campinas: FACTA, 2013. p. 121-133.
  • Molenaar, R., Hulet, M., Meijerhof, R., Maatjens, C.M., Kemp, B., and Van den Brand, H. High eggshell temperatures during incubation decrease growth performance and increase the incidence of ascites in broiler chickens. Poultry Science 2011. 90:624-632.
  • Oviedo-Rondón, E. O. Fatores que Interferem no Desenvolvimento Embrionário e Impactam no Metabolismo do Frango. 10° Simpósio Técnico ACAV. 16 a 18 de setembro de 2014.
  • Oznurlu Y., Celik., I., Telatar, T, and Sur, E. Histochemical and histological evaluations of the effects of high incubation temperature on embryonic development of thymus and bursa of Fabricius in broiler chickens. British Poultry Science 2010; 51(1):43-51.
  • Pol C W van der, Roovert-Reijrink I A M van, Maatjens C M, Brand H van den, Molenaar R. Effect of relative humidity during incubation at a set eggshell temperature and brooding temperature posthatch on embryonic mortality and chick quality. Poultry Science 2013; 92:2145-2155.
  • Romanoff A L. The Avian embryo: structural and functional development. New York: Macmillan; 1960
  • Verschuere, F. Avaliação da Qualidade dos pintinhos e otimização de incubação (5). Disponível em: http://www.petersime.com/departamento-de-desenvolvimento-do-incubatorio/avaliacaeo-da-qualidade-dos-pintinhos-e-otimizacaeo-de-incubacaeo-5/. Acesso em: 13 de maio de 2017.
  • Willemsen H, Everaert, N, Witters A, De Smit L, Debonne M, Verschuere F, Garain P, Bercksmans D, Decuypere E, Bruggeman V. Critical Assessment of Chick Quality Measurements as an Indicator of Posthatch Performance. Poultry Science 2008; 87:2358-2366.
  • Wilson H. Physiological requirements of the developing embryo: temperature and turning. In: Tullet, S G Editor. Avian incubation. 1990. p. 145-146




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