02 maio 2017

Carcaça de pirarucu é aproveitada em ração para aves no Amazonas

alimentação animal coproduto


AUTOR(ES)

Priscila Beck

Diamond V

Uma matéria veiculada pelo site “A Crítica” (Manaus/AM) divulgou, essa semana, que pesquisadores do Amazonas estão utilizando carcaças do pirarucu como ingrediente alternativo para a composição de ração de poedeiras comerciais. A descoberta é resultado da tese de mestrado “Silagem ácida de resíduos de pirarucu na alimentação de poedeiras comerciais leves”, desenvolvida pela zootecnista Oscarina Batalha.

O estudo apontou que a silagem ácida obtida a partir da biomassa residual de pirarucu, gerada na Unidade de Beneficiamento Pescado (UBP) no município de Maraã (a 634 quilômetros de Manaus), apresenta boa digestibilidade dos nutrientes pelas aves e potencial para ser utilizada como fonte energética.

A mestranda em Agricultura no Trópico Úmido, curso oferecido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), explica que o produto pode ser incluído na forma de farinha de silagem ácida até o nível de 2,5% na ração. “Observamos que a qualidade do ovo melhorou muito. A gema ficou maior e com a cor mais escura resultado da gordura do pirarucu”, afirmou Oscarina ao site.

Para produzir a silagem ácida, a pesquisadora triturou a carcaça (espinha dorsal e costelas) do pirarucu, que foi misturada com ácidos fôrmico e propiônico, descansando por três dias. Após, a mistura foi levada para uma estufa de ventilação forçada por mais 72h e, em seguida, triturada novamente para virar uma farinha de alta qualidade nutricional.

Meio ambiente

Atualmente, , conforme apurado pelo site, as carcaças do pirarucu são descartadas após a retirada dos filés do peixe. Na safra de 2014, a UBP de Maraã gerou 50 toneladas de resíduos, das quais 30% são descartados no meio ambiente por falta de uma estação de tratamento de resíduos.

A expectativa é que agora com os resultados positivos do beneficiamento dessa biomassa residual, empresários e organizações se interessem em investir e fazer uso dessa tecnologia. Os benefícios econômicos também são aguardados a partir da geração de emprego e renda para os produtores de pescado do Amazonas.

O doutor em biotecnologia Frank Cruz, coordenador do setor de Avicultura da Faculdade de Ciências Agrárias (FCA) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), lembra que o potencial de pirarucu no Estado é grande e seus resíduos ainda pouco explorados. Outro ponto importante, conforme avalia o doutor em biotecnologia, é a redução de custos com alimentação que o produto vai proporcionar aos produtores do setor de avicultura.

“O Amazonas importa 100% de toda matéria prima utilizada na confecção de rações (milho, farelo de soja, farinha de osso). Com a silagem de resíduos de pirarucu essa importação será reduzida e isso é muito importante porque em aves o item alimentação corresponde a 80% do custo total de produção”, pontuou.

Fapeam

A pesquisa de Oscarina Batalha foi desenvolvida dentro do projeto de Inovações Tecnológicas no Tratamento de Resíduos da Indústria de Beneficiamento de Pescado de Maraã, coordenado pelo Inpa e financiado pelo Programa de Apoio à Consolidação das Instituições Estaduais de Ensino e/ou Pesquisa (Pro-Estado) da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). O primeiro resultado do estudo foi aceito para ser publicado na revista Acta Scientiarum.

Tambaqui em outro estudo

Uma pesquisa semelhante está sendo desenvolvida na Ufam, pela mestranda em Ciência Animal, Cristiane Cunha Guimarães. Mas ao contrário de Oscarina Batalha, ela utilizará enzimas no lugar de ácidos, resultando em uma silagem biológica para também ser usada na composição da ração de poedeiras comerciais. Cristiane pretende produzir o produto de resíduos de tambaqui, outro peixe bastante consumido no Amazonas. O trabalho de campo deve começar dentro de um mês.

O conteúdo para produção desse material foi extraído do site “A Crítica”



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