21 jun 2017

Brasil avança na 7ª Reunião dos Ministros da Agricultura dos BRICS



AUTOR(ES)

Priscila Beck

Diamond V

A comitiva brasileira que esteve na China entre os dias 10 e 20 de junho trouxe, entre outras conquistas, a garantia de que serão apresentados, até o final do mês de julho, o nome das empresas brasileiras que poderão ser habilitadas a exportar para aquele país. A informação foi divulgada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), junto com o balanço da participação brasileira na 7ª Reunião dos Ministros da Agricultura dos Brics, ocorrida na cidade chinesa de Nanquim.

Segundo o Ministério, há 89 pedidos de habilitação e, após o trâmite de documentos, deverá ser enviada ao Brasil uma missão para vistoriar plantas frigoríficas. O Brics é um bloco comercial formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul e, segundo o ministro brasileiro, Blairo Maggi, a meta é aumentar de 7% para 10% a participação do Brasil no mercado mundial.

A estratégia brasileira foi defendida pelo presidente da Embrapa, Maurício Lopes, que compôs a comitiva brasileira. “As razões para se investir no comércio e na cooperação com a China são óbvias: em 2016 as nossas exportações de soja para o país renderam mais de 14 bilhões de dólares; mais de 80% das compras de frangos chinesas tem origem no Brasil e de carne bovina brasileira já representa 30%, com tendência de crescimento. O apetite chinês pelos produtos do agronegócio brasileiro só vai se ampliar, abrindo oportunidades para investimentos, cooperação científica, tecnológica e fortalecimento de laços que beneficiam o Brasil na geopolítica global”, argumentou.

Ao discursar na abertura da reunião, Blairo traçou um panorama da agropecuária brasileira, destacando a qualidade de produtos nacionais, o compromisso dos produtores com a sustentabilidade ambiental e a segurança alimentar mundial. Ele defendeu também a necessidade dos países do bloco intensificarem a cooperação entre si e terem maior protagonismo no comércio agrícola internacional.

A comitiva brasileira propôs a criação de um fórum empresarial agrícola do Brics e falou sobre a necessidade de diminuir restrições que persistem na forma de tarifas, subsídios entre outras barreiras não tarifárias. Segundo Blairo Maggi, não será possível solucionar os desafios globais de segurança alimentar, inocuidade do alimento e sustentabilidade mantendo pesadas restrições ao comércio.

“Se pretendermos ser efetivamente um bloco, o comércio entre nossos países deveria ser mais fácil do que com outros. A ampliação do comércio agrícola e agroalimentar é sem dúvida o tema mais complexo e desafiador para os países do BRICS”, defendeu Maggi. “Carros, produtos eletrônicos, celulares e a grande maioria dos bens de consumo que chegam aos consumidores globais circulam com menores restrições do que produtos agropecuários e alimentos”, completou.

Diretrizes e resultados

Blairo Maggi propôs que o Plano de Ação 2017-2020 dos Brics estabeleça um grupo de trabalho para monitorar e apresentar propostas que ampliem o fluxo de comércio e de investimento agropecuário e agroindustrial entre os países do bloco. O ministro brasileiro considerou que é possível cooperar também na coordenação de posicionamentos nos fóruns multilaterais para garantir ganhos comuns e lembrou a criação do Banco de Desenvolvimento dos Brics.

Reuniões bilaterais

Em paralelo à reunião dos Brics, Maggi se reuniu com parceiros dos países do bloco. Além do ministro da Agricultura da China, Han Changfu, a comitiva brasileira esteve ainda com o secretário para Alimentação e Saúde de Hong Kong, Ko Wing-man.

Hong Kong é a região administrativa da Cinha e principal importador de carnes do Brasil (US$ 1,6 bilhão movimentados em 2016). Outra importante reunião foi realizada com o presidente do Conselho China National Cereals, Oils and Foodstuffs Corporation (uma das maiores corporações estatais da China, responsável pela importação de produtos agropecuários e por investimentos no Brasil) e com a General Administration of Quality Supervision, Inspection and Quarantine of the People’s Republic of China (AQSIQ), instituição chinesa de inspeção e quarentena.

Com o ministro da Agricultura da África do Sul, Senzeni Zokwana, foi feito um acordo para a realização de encontros empresariais para a busca de oportunidades de negócios. A África do Sul tem interesse em comercializar navios pesqueiros, vinhos e chá, enquanto o Brasil foca as carnes bovina e suína.

Também foram feitos encontros específicos com o ministro da Agricultura da Rússia, que tem interesse em comercializar trigo e pescados (em contrapartida, o Brasil exportaria carnes e soja). O vice-primeiro-ministro russo, Arkady Dvorkovich, defendeu, na terça-feira (20/6), a ampliação da cooperação bilateral com a Embrapa, nas áreas de tecnologia e estudos científicos agrícolas.

Com informações da Assessoria de Imprensa da Embrapa




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