04 jul 2017

Publicação apresenta Boas Práticas de Produção na Postura Comercial

Santa Maria de Jetibá maior produtor de ovos do Brasil 2017


AUTOR(ES)

Priscila Beck

Diamond V

Resultado de amplo estudo da Embrapa, a publicação “Boas Práticas na Produção de Ovos Comerciais para Poedeiras Alojadas em Gaiolas” é um material público de grande qualidade para a melhoria do processo produtivo em granjas. A publicação oferece as bases legais e técnicas para que um programa de qualidade para a granja possa ser elaborado e implementado.

O material foi produzida por uma equipe multidisciplinar e com o apoio técnico e institucional importante do Instituto Ovos do Brasil (IOB), Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (CIDASC), Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (IDAF) e SEAPI-RS (defesa agropecuária estadual do Rio Grande do Sul). A publicação também teve apoio financeiro para a primeira tiragem do IOB e ABPA.

O IOB conversou com o Doutor em Zootecnia e MBA em Gestão do Agronegócio, João Dionísio Henn, líder do projeto “Boas práticas de produção na postura comercial” BPP-ovos e analista de transferência de tecnologia na Embrapa Suínos e Aves. Durante a entrevista, foram abordados assuntos de suma importância, tais como os investimentos que garantem ganhos financeiros às granjas, as recentes mudanças legislativas e a biosseguridade:

IOB: Quais são os grandes desafios em ampliar estas informações para os produtores de ovos no Brasil?

João Dionísio Henn: Acredito que um dos desafios é realmente o acesso à informação técnica de qualidade, aplicável aos sistemas produtivos. Para isso, é necessário investimento em pesquisa para a elucidação e a solução de problemas do campo e contribuir para a qualificação técnica dos profissionais do setor. O IOB através dos seus canais de comunicação, tem feito um papel importante na divulgação das informações técnicas e também de divulgação e promoção do ovo e derivados, juntamente com associações estaduais e parceiros privados.

Vejo que o setor está em momento de intensa modernização tecnológica, com estruturas de produção modernas e com diversos eventos técnicos dedicados ao setor. O IOB, em conjunto com os demais atores que congregam os agentes da cadeia produtiva do ovo, sejam produtores, fornecedores ou consumidores, tem papel fundamental neste processo de modernização e de valorização do produto ovo. As melhorias em procedimentos nas granjas também devem ser constantes, sendo que a efetiva implementação de boas práticas de produção são fundamentais, para atingir e manter elevado padrão de qualidade na produção de ovos na granja e nas demais etapas até a mesa do consumidor.

A Embrapa Suínos e Aves acredita que o esforço e o investimento em BPP tem retorno garantido, pelos ganhos agregados proporcionados ao sistema de produção de ovos. Ficou comprovado em diversos projetos já concluídos pela Embrapa, seja na avicultura de corte, suinocultura, bovinocultura de leite e de corte, que as BPP se pagam.

Diversos são os ganhos: melhoria na biosseguridade da granja e da sanidade do plantel; atendimento as exigências legislativas e voluntárias – leis e normas; melhoria na eficiência produtiva e na gestão do negócio; padronização de ações, práticas e processos; melhoria contínua da qualidade do ovo como alimento nobre e transmissão de confiança ao consumidor; modernização das granjas e treinamento contínuo dos colaboradores; adequação para o registro da granja; tomada de decisões com base em fatos e dados medidos; redução de perdas de produto (ovos avariados) e utilização otimizada dos insumos da produção; melhoria na relação com os órgãos fiscalizadores e otimização da assistência técnica.

Podemos afirmar que a adesão voluntária do produtor para a implementação de boas práticas de produção nas granjas irá contribuir para o aumento da sua lucratividade, obtenção de produtos de elevada qualidade, redução de riscos sanitários e a manutenção na atividade, com maior sustentabilidade.

 

IOB: Quanto tempo de pesquisa a equipe dispendeu para a elaboração desta circular técnica?

João Dionísio Henn

JDH: A CT60 é um dos primeiros resultados do projeto “Boas práticas de produção na postura comercial (BPP-ovos), elaborado por equipe multidisciplinar da Embrapa Suínos e Aves e com revisão técnica do MAPA, IOB, CIDASC, IDAF e SEAPI-RS. Foi praticamente um ano de trabalho.

Ao mesmo tempo, já trabalhamos as ações de campo, com os parceiros, para a continuidade do projeto. São nossos parceiros o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA), a ABPA, o IOB e, no Espírito Santo, a Cooperativa Agropecuária Centro Serrana (Coopeavi) e seus produtores cooperados, a Associação dos Avicultores do Estado do Espírito Santo (AVES) e o IDAF.  Em Santa Catarina, a Granja Pedal, Ovos Guarani, Ovos Uberti e a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (CIDASC) e o Rio Grande do Sul a Naturovos e seus produtores integrados, Associação Gaúcha de Avicultura (ASGAV) e a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Irrigação do RS (SEAPI-RS). Portanto, é um esforço conjunto de diversas instituições e profissionais, em benefício da avicultura de postura comercial.

O foco está sendo no sistema predominante de produção em gaiolas e as ações de intervenção em BPP serão nos estados do Espírito Santo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Posteriormente, pretende-se trabalhar também com os demais estados produtores, onde será fundamental a participação, novamente, do IOB, ABPA, associações e parceiros públicos e privados.

Nestes três anos de projeto, temos a expectativa de contribuir para que os produtores possam atender as questões legais da produção de ovos, minimizar os riscos sanitários e melhorar a produtividade e a qualidade do produto. A promoção de capacitações de técnicos e de produtores, em boas práticas de produção na postura comercial, também será rotina durante o projeto. Outro objetivo é contribuir para a melhoria e padronização das práticas produtivas e administrativas dos produtores de ovos, a segurança do trabalhador e a produção de alimentos seguros, bem como a manutenção e ampliação de mercado.

Pretendemos ter, ao final do projeto, uma metodologia para implantação das boas práticas de produção no sistema produtivo de ovos, apto para ser aplicado em várias realidades da produção de ovos e desenvolver diversas estratégias e instrumentos de transferência de tecnologia (publicações, vídeos, podcast, infográficos, aplicativo para smartphones e tablets, seminários, workshops e cursos) para atingir os públicos interessados no modelo de implementação de BPP e conteúdos validados no projeto, para a sua replicação posterior para outros produtores.

 

IOB: Houve mudanças recentes na legislação que motivaram este trabalho? Se sim, quais foram?

JDH: O projeto foi uma demanda do setor, para contribuir com capacitações e respostas técnicas para várias questões legais, seja nos aspectos ambientais, sanitários, trabalhistas e questões da produção e do mercado de ovos. Havia dificuldade de atender a legislação anterior, como a IN 56, IN 36, etc, e temos também normas novas, como a IN 8 que estabelece novos prazos para o telamento dos aviários e do registro das granjas no órgão competente, além de outras questões.

 

IOB: Há muitas discrepâncias entre as normas estaduais e municipais? Em que esta circular pode ajudar na padronização das formas de criação de aves?

JDH: Existem discrepâncias, que podem estar associadas às diferenças de status sanitários entre os estados. Santa Catarina, por exemplo, é o único estado em que a positividade para Salmonella Gallinarum é situação para abate sanitário do plantel positivo. As normas estaduais são balizadas pelas normas federais, podendo ser mais restritivas, mas nunca mais permissivas. Acho que um ponto importante a ser trabalhado e aperfeiçoado é no aspecto da aplicação das normas, com padronização da inspeção e fiscalização nas granjas, com resultado idêntico para situações reais idênticas.

 

IOB: Na sua opinião, qual a importância de entidades como o Instituto Ovos Brasil na disseminação das informações para produtores e consumidores finais?

JDH: O IOB tem papel primordial na promoção do produto “ovo” como um alimento saudável, de alto valor nutricional e seguro para consumidores, bem como difundir as questões técnicas e as inovações tecnológicas. As ações do IOB individualmente e conjunto com os parceiros, farão com que os 205 milhões de Brasileiros aproveitem cada vez mais os benefícios deste nobre alimento.

 

IOB: Quais os próximos passos que você recomenda que os produtores de ovos do Brasil tomem para efetivar este momento crescente de evolução da qualidade do produto?

JDH: A constante busca pela melhoria da qualidade e da padronização é responsabilidade de todos os envolvidos na cadeia produtiva. Dentro da porteira, na nossa granja de produção de ovos, a produção de qualidade deve estar alicerçada nos procedimentos operacionais padrão (POPs), os formulários de registros associados e o manual de procedimentos técnicos e da qualidade, bem como nos treinamentos periódicos das equipes. Os POPs, periodicamente revisados e atualizados, permitem padronização e melhoria nas práticas e procedimentos na granja, baseados nas novas tecnologias, processos e habilidades e nas exigências legais e do mercado. Produzir é preciso, documentar também. Além de fazer tudo muito bem feito, é fundamental que tudo fique registrado, documentado e arquivado. Um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar: escritório organizado, com locais identificados para guardar todos os documentos, pelo período necessário, tanto para atender à fiscalização, mas também para servir para a tomada de decisões na empresa e para os treinamentos periódicos da equipe. Além de praticar, precisamos comprovar e transmitir a qualidade da produção de ovos nas nossas granjas.

 

O material, que é gratuito e de fácil leitura, possui valiosas informações sobre as melhores condições de infraestrutura de uma granja, tais como o planejamento na implantação e ampliação das granjas, os projetos técnicos, a comercialização de ovos, passando por estudos de viabilidade econômica e as construções das instalações. Caso seja associado do Instituto Ovos Brasil, acesse a área restrita do site (www.ovosbrasil.com.br/site/wp-login.php) para ter acesso ao material publicado na íntegra.

 

Assessoria de Imprensa Instituto Ovos do Brasil



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