AUTOR(ES)

Edson Luiz Bordin

Edson Luiz Bordin, MV Patologista

A imunologia nutricional é ciência nova.  Ela será mais eficiente quando a relação entre a nutrição e o sistema imune for mais entendida. É sobre isso que vamos nos ocupar nessa revisão.

As doenças infecciosas, eventualmente contagiosas na espécie suína, aviária, bovina e outras, causam prejuízos, corroborados pela redução de uso de antibióticos, cada vez mais legislado. Isso aumenta a importância do sistema imune.

Atualmente há intensa movimentação científica devotada ao tecido imune, seu desenvolvimento e funcionamento, buscando-se tecnologias mais efetivas, com resistência aos antígenos, e em instância final, mais produção.

beta-glucanoViroses imunossupressoras, como a doença de Gumboro nas aves, e a circovirose nos suínos, catapultaram bastante o desenvolvimento da imunologia veterinária nas décadas recentes. Isso coincidiu com o advento da biologia molecular e o suporte tecnológico, com vacinas de alta tecnologia, e métodos novos de diagnóstico.

beta-glucanoA identificação das células dendríticas, por exemplo, ocorreu nessa época, assim como algumas especificações da célula B, e de algumas imunoglobulinas.

O desenvolvimento de adjuvantes mais eficientes e seguros é outro exemplo, em conjunto a vacinas recombinantes.

A valorização da resposta imune, intestinal ou geral, e a redução da dependência aos antibióticos é grande, e hoje se dispõe de uma plêiade de moléculas promovidas a esse e a outros fins. Mais adiante se relacionam categorias de compostos em uso.

Existem estudos experimentais para aferir a eficácia dos mesmos; alguns comprovam benefícios, já outros não, o que pode refletir falta de adoção de uma metodologia experimental mais adequada.

São essas as categorias de compostos mais usados:

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Esses efeitos são bem vindos em um ambiente sem promotores de crescimento antibióticos, considerando um sistema compatível com o manejo adequado e o bem-estar animal.

A rigor buscam-se ou se promovem benefícios, tais como:

Competição, adsorção e exclusão de agentes patogênicos;beta-glucano

Diminuição de PH e aumento de anaerobiose;

Produção de AGCC (ácidos graxos de cadeia curta);

Redução de aderência de patógenos aos receptores dos enterócitos;

Redução da permeabilidade intestinal;

Incremento da imunidade intestinal e regulação da inflamação;

Maior resistência aos agentes agressores intestinais.

 

BETA-GLUCANO

beta-glucano

O beta-glucano (ou beta-glucana ou betaglucano), notadamente em humanos, vem sendo estudado em algumas patologias como o diabetes. Isso compele a experimentações em animais de produção e de companhia, no controle de várias patologias, embora com representatividade mais discreta.

Vamos nos ater às fibras dietéticas. Fibra dietética, de acordo com Rosch, C, é um polímero de carboidrato com três ou mais unidades monoméricas que não sofrem digestão.

beta-glucano

 

São polissacarídeos monômeros de D glicose unidos por ligações glicosídicas B, com conformações variadas e que fazem parte de parede celular de fungos, por exemplo. A mesma referência caracteriza o beta-glucano também como sendo uma hemicelulose.

Em recente revisão em 2016, não se enquadra o beta-glucano na categoria de prebiótico fermentável por parte de lactobacilos e bífido, como o são o FOS, o GOS e o MOS, mas sim como imunomodulador da resposta.

Para os que desejarem informações referentes às características fermentativas, in vitro e in vivo das fibras em geral, remete-se à pertinente bibliografia.

A rigor, o beta-glucano obtido por fermentação alcoólica é considerado bastante efetivo nessa função, de modo que há relação direta com o modo industrial de obtenção.

 

O SISTEMA IMUNE

beta-glucano
Para melhor entendermos como agem os beta-glucanos, vamos revisar superficialmente o sistema imune. Acima, encontram-se as células envolvidas nas reações imunes e inflamatórias, considerando-se as imunidades inata e a adaptativa.

A primeira é inespecífica, reconhece e elimina o agente patogênico de forma rápida e se constitui no foco principal de defesa imediata.

A adaptativa é lenta e específica, ocorre pela produção de imunoglobulinas e de células de memória, e também promove a eliminação do agente patogênico.

 

Dessa forma, resistência a um agente, define imunidade.

Mas, o que confere ao sistema imune a capacidade e adaptabilidade para mobilizar uma rede de células especializadas e proteínas para defesa contra agentes infecciosos e células alteradas?

É isso que nos propomos discutir agora.

Os tecidos linfóides e suas células residentes

beta glucanosTimo – células T e B, macrófagos e células apresentadoras de antígenos (DCs ou Cels. dendríticas);

Baço – polpa branca (linfócitos T e B), polpa vermelha (eritrócitos);

Medula óssea – todas as linhagens, incluindo monócitos, macrófagos, exceto células T;

Gânglios – células B e T, sendo B no córtex e T na medular do órgão, assim como macrófagos. Nos suínos, as células B se assentam no córtex e as T na medular. É o inverso do que ocorre em outros animais e no homem;

 

beta-glucanosPlacas de Peyer do jejuno – células B, macrófagos e DCs;

Placas de Peyer ileal – células B;

Tonsilas – células T e B, macrófagos e DCs;

Bolsa de Fabrícius – principalmente células B.

 

Intestinobeta-glucano

O intestino é o órgão que mais contempla células de defesa. As células imunes (linfócitos T e B) locadas nas mucosas se diferenciam e se desenvolvem na proporção em que são estimuladas pelos agentes patogênicos, ou por moléculas estranhas.beta-glucano

As células T dependem dos macrófagos nessa intermediação. Já as células B não, por possuírem receptores de globulinas.

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Notem (figura 2) que existem diferenças nas populações de células imunes nos distintos centros germinativos intestinais.

Nos painéis laterais eles ocorrem em maior expansão, com profusão de células B, notadamente.

No painel central essa atividade é mais discreta.

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Figura 2: Células imunes nas mucosas. Osman (2011)

Animais SPF apresentam menor distribuição de células imunes, que aumentam com a idade e exposição. Há cerca de 250 PP (placas de Peyer) e inúmeros folículos em nível de mucosa gastrointestinal, de modo que nenhuma mudança na dieta e no bioma deixa de ser percebida pelo sistema imune dos vertebrados, peixes inclusive.

Nos núcleos germinativos que se formam na reação imune, existem regiões de células B e de células T, entre células macrofágicas e outras. Nos gânglios ocorre o mesmo processo.

 

Na segunda parte deste artigo, que você vai poder conferir na edição de dezembro da aviNews Brasil, abordaremos os efeitos Imunomoduladores e Imunoestimulantes do Betaglucano: reação aos antígenos.

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