out 2019 / Eventos / Reportajes LATAM

Bastos dá mais um passo rumo à excelência na produção de ovos

Em 19 de julho passado, com a meta de dar mais um passo em direção à excelência na produção de ovos, avicultores da região de Bastos (SP) lotaram mais uma vez o auditório do Anfiteatro Governador Mario Covas, durante o “45° Encontro dos Avicultores do Estado de São Paulo e 42ª Jornada Técnica”.

A busca pelo título de Melhor Produtora de Ovos do Brasil é a nova meta dos avicultores da região de Bastos, que atualmente já detém o título de Maior Produtora de Ovos do estado de São Paulo, com 55% da produção paulista.

BASTOS

Não se trata de uma meta simples, quando falamos de cerca de 5 bilhões de ovos produzidos em um ano, apenas no município de Bastos. Trata-se de 21,6 milhões de ovos por dia, que também podem ser traduzidos em 900 mil ovos por hora, 15 mil ovos por minuto, ou, ainda, 250 ovos por segundo.

A Jornada abordou temas como Procedimentos de vazio sanitário e seus impactos na produtividade e rentabilidade dos lotes, Resíduos em ovos: controles e cuidados importantes, Ferramentas de tomada de decisão em postura comercial e Aproveitamento de ovos na sala de Processamento.

Bastos Excelencia

José Roberto Bottura

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Para José Roberto Bottura, Coordenador Técnico da Jornada e Diretor-Técnico da APA (Associação Paulista de Avicultura), as palestras foram voltadas para que os avicultores possam se capacitar.

“Os avicultores de Bastos estão interessados em produzir um ovo com cada vez mais qualidade e, para isso, temos que caminhar juntos, governo e iniciativa privada”, afirmou Bottura.

O evento é organizado a partir da parceria entre Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, FAESP (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo), SENAR/SP (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), APA, Prefeitura e Câmara Municipal de Bastos, além da Comissão Executiva da Festa do Ovo.

Vazio Sanitário

Bastos Excelência

Ana Caselles

Segundo a médica veterinária Ana Caselles, que é Gerente Técnica da Sanphar Saúde Animal, o Vazio Sanitário é o intervalo de tempo entre o final do processo de limpeza e desinfecção de instalações e o início do repovoamento.

Para aves em condições de normalidade, é recomendado o mínimo de 14 dias, a depender da resistência do agente presente no ambiente e a eficácia da desinfecção”, explicou Ana.

Segundo a médica veterinária, processos de higienização e desinfecção bem feitos refletem diretamente na redução das perdas geradas pelas enfermidades como mortalidade, perda de produção, infecções subclínicas, medicações, manejos, rejeição de produto e perda de clientes, entre outros.

Ana apresentou pesquisas científicas que comprovam que uma granja de postura com um milhão de aves tem um gasto anual de US$ 108 mil com biosseguridade.

Em comparação, uma ave contaminada por Mycoplasma gallinarun, Laringotraqueíte e piolho, produz 9 ovos a menos ao ano, o que pode representar um prejuízo anual de US$ 1,6 milhão numa granja com um milhão de poedeiras.

Entre os principais pontos a serem considerados pelos produtores para a garantia de eficiência da higienização durante o Vazio Sanitário, Ana Caselles destacou:

Estabelecimento de um cronograma;

Capacitação e motivação dos trabalhadores;

Padronização de procedimentos;

Equipamentos de qualidade e em quantidade suficiente;

Produtos de qualidade e checagem constante do processo.

Resíduos em ovos

Bastos Excelência

Flávio Daolio Gonçalves

Diante desafios colocados para a sociedade como o vertiginoso crescimento populacional até o ano de 2050 e a necessidade de produzir alimentos de forma sustentável, outro tema debatido durante a Jornada Técnica foi “Resíduos em Ovos: Controles e Cuidados Importantes”.

Segundo o zootecnista Flávio Daolio Gonçalves, que é Gerente de Qualidade da Trouw Nutrition Brasil, é preciso muito cuidado para não transferir, ao alimento, resíduos indesejados que possam provocar algum tipo de desafio aos consumidores.

Gonçalves destacou que os principais contaminantes a serem considerados na produção de ovos são:

  • Antibióticos;
  • Antiparasitários;
  • Dioxinas;
  • Pesticidas;
  • Metais pesados.

Sobre as formas de contaminação ele explicou que podem ser intencional (a partir do controle de enfermidades ou manejo inadequado), ou não intencional (a partir da aquisição de matéria-prima contaminada, ou contaminação cruzada etc).

Ao comentar sobre o PNCRC (Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes), que é a ferramenta de gerenciamento de risco utilizada pelo Mapa para promover a segurança química dos alimentos de origem animal, o zootecnista fez uma comparação com o VAR (Video Assistant Referee).

bastos excelência

45° Encontro dos Avicultores do Estado de São Paulo e 42ª Jornada Técnica

O nosso VAR é o PNCRC. Se a gente sabe a regra do jogo na hora de executar o manejo, se a gente conhece a matéria-prima que estamos utilizando, o VAR não vai ser um problema, afirmou Gonçalves.

Flávio destacou a necessidade de conhecimento sobre a dinâmica da molécula das drogas a serem utilizadas, assim como a sistemática de formação e funcionamento do organismo das aves.

Porém, segundo o zootecnista, a maior arma dos produtores de proteína animal são as boas práticas de produção.

“O que está nas nossas mãos são as boas práticas. Elas são a garantia de perenidade da produção, de evitar contaminação, melhorar tempo de resposta e reação, acelerando a recuperação das aves”.

Ferramentas de tomada de decisão

Bastos Excelência

Ricardo Issao Ito

O Consultor Técnico de Avicultura da Cargill Nutrição Animal, médico veterinário Ricardo Issao Ito, abordou a temática “Ferramentas de Tomada de Decisão na Avicultura de Postura”.

Segundo ele, os dados geram valor para o negócio e a adoção de decisões sustentadas por mais informações aumenta a chance de acertos. Porém, Ito destacou que o valor dos dados está na forma como os mesmos são utilizados.

“Precisamos converter os dados em informações, para promover conhecimento que gere insights. O que se quer saber a partir dessa base de dados vai depender do perfil de quem a está usando e, por isso, é importante que a gente entenda do negócio”, destacou o consultor.

Segundo Ito a análise dos dados pode ser descritiva (o que está acontecendo), diagnóstica (porque algo aconteceu), preditiva (o que irá acontecer) ou prescritiva (o que fazer a respeito).

“Se continuamos fazendo uma gestão somente olhando no retrovisor, seremos reativos e pouco eficientes; temos que olhar para o que ainda está à nossa frente”, alertou.

O consultor destacou ainda a tendência crescente de utilização de som e imagem como recursos para detecção de estimativa de peso, por exemplo, ou condições de bem-estar a partir do reconhecimento do comportamento animal.

“Precisamos migrar da situação do achismo, para as decisões embasadas em evidências”, salientou Ito. “Já dá para fazer muita coisa com os dados que temos hoje, só temos que conectar os pontos que nos permitirão ver algo que não víamos antes na hora de definir que tecnologia vamos adotar”, concluiu.

Aproveitamento de Ovos

Bastos Excelência

Ivana Gomes de Faria

As perdas nas salas de ovos são ocorrências do cotidiano dos produtores desse alimento. O Decreto Presidencial 9013/2017 prevê a utilização desses ovos, porém, segundo a médica veterinária Ivana Gomes de Faria, que é Fiscal Federal Agropecuária do Mapa em Lavras (MG), existem condições para o aproveitamento dos mesmos.

Ela destacou o artigo 227 do referido Decreto, que diz que “os ovos limpos trincados, ou quebrados, que apresentem a membrana testácea intacta, devem ser destinados à industrialização tão rapidamente quanto possível”.

Segundo ela, o ovo líquido tem uma importante função no mercado pela sua praticidade de transporte, armazenamento e uso. Porém, o produto deve apresentar as mesmas propriedades do ovo in natura e, segundo ela, muitos detalhes são necessários para manter essas propriedades.

“Então, não é só quebrar o ovo, por no balde. As bactérias num balde de ovos são como um ser humano que ganha na loteria e começa a se reproduzir”, alertou a Dra Ivana.

Ela destacou a necessidade de os produtores conhecerem a legislação que regula a atividade, entre as quais:

A Portaria no 1 (20/02/1990), que regulamenta as normas para instalações, equipamentos e processamento de ovos e derivados (em revisão);

A Resolução no 5 (5/07/1991), que estabelece os padrões de identidade e qualidade do ovo in natura, ovo liquido integral, clara e gema;

O Decreto no 9013 (29/03/2017), que estabelece normas e critérios de inspeção de ovos e derivados.

Ao mesmo tempo em que a Dra Ivana convocou os produtores de ovos a se organizarem e participarem das discussões do processo de revisão da Portaria no 1, ela também foi questionada sobre o critério da Resolução no 5, que determina um teor mínimo de 10% de gordura para o ovo líquido.

A discussão gira em torno do fato de que o teor de gordura pode variar de acordo com a genética da ave, o que não era previsto quando a legislação foi elaborada.

Segundo a Dra Ivana, análises estão sendo realizadas em universidades, já existem alguns resultados e a legislação deve ser revista até outubro, havendo um entendimento interno no Mapa de que os autos de infração baseados nesse quesito não devem mais gerar multas.

Bastos Excelência

Palestrantes e organizadores do Evento

 

 

 

 

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