23 jun 2021

Arábia Saudita tem redução drástica de importações de aves

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AUTOR(ES)

Priscila Beck

Diamond V

Após suspender 11 plantas avícolas brasileiras em maio, no início de junho a Arábia Saudita também suspendeu as importações de carne de frango da França e Ucrânia. Segundo relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), trata-se de uma redução drástica nas importações pela Arábia Saudita, porém ainda não há clareza sobre como o país fará para cobrir a demanda local.

Em 5 de maio de 2021, a autoridade sanitária da Arábia Saudita (SFDA – Saudi Food and Drug Authority), suspendeu temporariamente 11 plantas brasileiras exportadoras de carne de frango. Das três empresas afetadas pela proibição, a JBS foi a mais afetada havendo perdido, principalmente, em termos de volume de exportação e participação de mercado.

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Segundo o relatório do USDA, não serão mais encontradas no mercado Saudita nenhuma das marcas populares da JBS (Seara, Pena Branca, Frangosul e Lebon), após esgotarem-se as mercadorias expedidas ao país antes de 23 de maio de 2021. A decisão da SFDA chocou tanto os importadores sauditas de carne de frango, quanto seus fornecedores brasileiros, segundo o USDA.

Diversos especialistas apontam, segundo o Departamento norte-americano, que a proibição deve reduzir as exportações de carne de frango brasileira para a Arábia Saudita em 60% durante o período de proibição. Até o momento, a SFDA não forneceu informações importantes sobre a proibição, como os motivos da suspensão, quanto tempo deverá durar, ou o que as empresas brasileiras devem fazer para agilizar o levantamento do embargo de importação.

De acordo com alguns relatórios, a SFDA suspendeu as 11 instalações por uma suposta contaminação, porém nenhuma informação específica foi fornecida sobre a natureza da mesma. Vários importadores locais de carne de aves e analistas ponderam que, se as exportações foram suspensas devido a uma contaminação, por que a SFDA não fez o recall dos produtos, assim como outros também questionam por que a Arábia Saudita não proibiu as importações já a partir de 5 de maio, em vez de conceder um período de carência, até 23 de maio.

França e Ucrânia

A expectativa de escassez de carne de frango no mercado saudita aumentou em 6 de junho último, quando a SFDA suspendeu temporariamente as importações da maior planta exportadora da Ucrânia, PrJSC “Myronivska Pticefabrika” (MHP). Em 2020, a Ucrânia exportou 84.221 toneladas métricas de carne de frango para a Arábia Saudita, tendo a MHP como fornecedora dominante.

Em 8 de junho, a SFDA também proibiu, temporariamente, as importações de carne e ovos de aves de três províncias francesas devido ao surto da Influenza Aviária Altamente Patógena. Foram banidas as províncias de Landes, Pyrenees-Atlantiques e Gers, ficando o país Saudita aberto apenas para a carne de frango e ovos de mesa que passarem por processamento térmico.

Anteriormente, a SFDA já havia proibido as importações de produtos avícolas originados da francesa Saint-Geours, devido a surtos de Influenza Aviária. No ano passado, a França enviou aproximadamente 73.000 toneladas métricas de carne de frango para a Arábia Saudita.

Expansão Avícola Local

Segundo dados alfandegários dos países fornecedores de carne de frango à Arábia Saudita, em 2020 o país importou um total de 652.283 toneladas métricas do produto, dos quais 72% (467.522 MT) foram fornecidas pelo Brasil. Dados do Ministério Saudita do Meio Ambiente, Água e Agricultura, demonstram que o país produziu 900.000 toneladas de carne de frango em 2020, representando 60% do consumo doméstico, estimado em cerca de 1.550 MT por ano.

Os planos do governo local são de que a produção local responda por 80% da demanda doméstica até 2025 e 100 % até 2030. Para alcançar a meta estabelecida, o Ministério está oferecendo vários incentivos aos produtores locais de carne de frango, incluindo subsídios de até US $ 187 milhões anuais para produção.

O governo saudita também incentiva empresas estrangeiras a investirem no país, especialmente em granjas. Em troca, a Arábia Saudita oferece 100% de propriedade para empresas produtoras “locais” e acesso ao subsídio direto baseado na produção, nos mesmos moldes oferecido aos avicultores locais.

Fonte: USDA

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